Um blogue intimista mas ao mesmo tempo aberto para os outros. Um blogue de reflexão sobre o mundo que me rodeia. Falar sobre este país e estas pessoas, falar de museus, bibliotecas, cinema, literatura, dança, teatro, política e sociedade. Enfim um blogue que desejo vivido.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Hoje estou pensativa
Acordei e começei logo a pensar. Se penso logo existo e fiquei contente porque existo e também porque penso mas ao pensar entro em diálogo, com quem? Comigo. Ao entrar em diálogo comigo inicio o «tal» monólogo interior e o monólogo interior é uma grande chatice, não me deixa ver nada, a paisagem por exemplo: se faço uma viagem de combóio, entro na tal conversa interior e não vejo patavina. Lembras-te do rio Douro visto do combóio na povoação tal e tal? E eu sim, sim é lindo, mas a verdade é que não me lembro de nada...Se acordo e sou atacada de imediato pelo monólogo deixo qualquer pessoa a meio da frase e zutaaaa lá vou eu atracada a ele. A minha filha mais velha é que descobriu o «bicho» e de vez em quando pergunta-me, estás a pensar em quê? Não estás a ouvir nada do que te estou a dizer, eu digo-lhe, claro que estou a ouvir e até fico zangada, mas ela não acredita e obriga-me a repetir. Repete lá o que eu disse, repete. Temos que admitir que esta situação é um pouco desconfortável. Vou continuar a pensar nisso.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Ela (ele) é muito possessiva
O problema é ela ser muito possessiva, dizia Lyn a amiga chinesa de Margarida, ela queria dizer (ele). A lingua chinesa não emprega o masculino qundo se refere ao homem? Era uma interrogação que a Margarida fazia sempre que saía com a sua amiga Lyn, mas não ficava bem perguntar. Mas se calhar ele gosta muito de si, disse.. Sim ela diz que sim, mas também diz que eu sou frio, acha a Margarida, que eu sou frio?Não Lyn para mim não é, aqui ela usa o termo frio referindo-se a uma mulher, pensava Margarida, não acho. Lyn, isto o que é? Isso é para fazer cozidos a vapor em casa. Ai que bom, o que eu gosto de cozidos a vapor, pensava Margarida no meio daquele Armazém Chinês do Martim Moniz. E estes sacos têm o verdadeiro arroz chinês? Sim claro, aqui tem tudo que chinês necessita. Preciso é de uma panela para cozer o arroz. Também tem cá, exclama Lyn admirada e rapidamente na sua língua materna pede a um dos dez ajudantes que trouxessem uma panela. Parece-me mesmo boa, diz Margarida contente. E isto o que é? Apontando para minúsculos pedaços de carne agarrada ao osso. Isto é entrecosto frito, responde a empregada num razoável português. Porque é que os pedaços são tão pequenos? Os chineses comem tudo cortado em pequenininho, respondeu Lyn, vocês não? Bem, não tanto e Margarida lembrava-se das travessas de cozido à portuguesa no quiosque, às 6ªs feiras. As portuguesas gastam muito, eu acho, diz Lyn empertigada. Talvez.....de repente, no carro de Lyn, estavam a ser postas as compras devidamente acondicionadas pelos dez ajudantes do armazém. Totché, obrigado, dizia Lyn, em meio português, meio chinês...já no caminho de regresso, Lyn voltou à carga. Ela é muito possessiva, mas elas acham todas que eu sou muito independente e frio. Têm medo, arriscou Margarida.Sim, ela até disse ontem, se eu te desse um anel e te pedisse em casamento tu ficavas zangada, porque não sei se gostas de mim. Está a brincar, Lyn relatava o sucedido com voz zangada, então o que é que eu estou aqui a fazer, se está em minha casa e eu a perder tempo consigo é porque gosto de si, mas a intimidade leva tempo. Com os portugueses, não é assim, disse-me ela (ele), continuou Lyn. Ai não, então como é que é (respondeu a Lyn a ela (ele)? As pessoas apaixonam-se e pronto... , disse ela (ele). Com chineses não, disse-lhe eu (A Lyn)e já estava stressada com a conversa e acrescentei, tem que respeitar, as pessoas conhecem-se e levam tempo e depois a intimidade para casar é quando já há grande conhecimento...isso é porque tu és frio, disse-me ela, e eu respondi, disse-me agastada Lyn, se sou frio porque é que não se vai embora? E ele? Perguntou Margarida curiosa. Ela foi embora. Já a outra era assim e ainda por cima a mulher dela telefonava-me. Oh Lyn, você com a sua profissão e o seu estatuto porque é que não procura um chinês ao seu nível que compreenda o seu espirito independente, ou outro estrangeiro, porque portugueses já se sabe, são inseguros e querem ser o centro das atenções, são filhos de mulheres carentes, blá, blá, divagou Margarida sobre a essência do homem português. Não Margarida, eu não posso casar com chinesa..Não pode casar com um chinês? Porquê? Porque sou divorciada..O quê? Qual é o problema? Um chinês que casa com uma mulher divorciada fica desonrado perante a família e os amigos. Diziam-lhe, olha para ele, nem teve categoria para casar com uma solteira, casou com o lixo. Lixo!!!! disse Margarida, abrindo a boca espantada. Sim, o pai de Lynsoi, minha filha, divorciou-se de mim e quando foi para a América e quis casar com outro, teve de casar com chinesa solteira. Então se quisesse casar com um chinês...Só se fosse empregado de mesa, atalhou Lyn, daqueles que não têm onde cair morto. E ainda por cima tinha de engolir tudo o que ele quisesse. Abriu a porta do condomínio fechado e com um olhar triste disse a Margarida: eu sou uma mulher em 2ª. mão para um chinesa e um objecto que se possue para um portuguesa.
Quando voltei a casa pensei, as circunstâncias dramáticas e preconceituosas que envolvem a mulher oriental, africana e da América Latina são a ponta de um iceberg que nós pouco sabemos e nada fazemos, olha para mim, casada três vezes, não sei o que seria na China, já estava em reciclagem nalguma ETAR. Abri a porta e a minha cadela saltou-me feliz e eu para alimentar a má consciência do pouco que tenho feito em favor destas mulheres, disse-lhe: scorfa, quando quiseres ter filhos, escolhes tu o cão seja de que raça for.
À noite contei o sucedido a um dos meus filhos, que me acompanhou noutras compras mensais, num dos muitos supermercados na vila onde vivo. Eram quase dez da noite e ele respondeu-me com voz suave, por tudo isso que me estás a dizer é que eu vou levar este livro sobre os Gulags - oprimidos estás a ver, e és tu que vais pagar. Não disseste que estavas de má consciência?
Quando voltei a casa pensei, as circunstâncias dramáticas e preconceituosas que envolvem a mulher oriental, africana e da América Latina são a ponta de um iceberg que nós pouco sabemos e nada fazemos, olha para mim, casada três vezes, não sei o que seria na China, já estava em reciclagem nalguma ETAR. Abri a porta e a minha cadela saltou-me feliz e eu para alimentar a má consciência do pouco que tenho feito em favor destas mulheres, disse-lhe: scorfa, quando quiseres ter filhos, escolhes tu o cão seja de que raça for.
À noite contei o sucedido a um dos meus filhos, que me acompanhou noutras compras mensais, num dos muitos supermercados na vila onde vivo. Eram quase dez da noite e ele respondeu-me com voz suave, por tudo isso que me estás a dizer é que eu vou levar este livro sobre os Gulags - oprimidos estás a ver, e és tu que vais pagar. Não disseste que estavas de má consciência?
No domingo...

Amigas e amigos, no domingo fui ao S. Carlos ver Os contos de Hoffmann e digo-vos que em termos de cantores foi o ponto alto desta temporada medíocre.
É interessante este Offenbach, como foi possivel no século XIX compor uma opereta tão contemporãnea.
Jacques Offenbach
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Jacques Offenbach Jacob Ebert, mais conhecido como Jacques Offenbach (Colônia, Alemanha, 20 de Junho de 1819 – Paris, França, 5 de Outubro de 1880), compositor e violoncelista da Era Romântica, foi um paladino da opereta e um percursor do teatro musical moderno.
Com 60 anos e muito doente, ele trabalhou com afinco para concluir Os contos de Hoffmann. O criador de operetas, não conseguiu realizar o grande sonho de assistir a montagem de sua primeira grande ópera de sucesso. Ele morreu em Paris, no dia cinco de outubro de 1880 e a estréia de sua jóia musical só iria ocorrer cinco meses após. A opera foi considerada o maior evento da temporada, atingindo um recorde de 101 apresentações.
domingo, 13 de abril de 2008
Mantas de Mértola - Uma preciosidade patrimonial.

Estou a dar umas acções de formação em Mértola sobre Serviço Educativos de Museus e fiquei fascinada com a vila. É das vilas mais bonitas de Portugal. As mantas de influência islâmica e tecidas pelos métodos tradicionais são um ponto alto na riqueza patrimonial desta autarquia. Por favor escolham Mértola para um dos vossos destinos de fim de semana. Boa comida, boa dormida e uma paisagem deslumbrante enquadrada pelo Guadiana e pelos vestigios islâmicos tão presentes naquela brancura.
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