domingo, 27 de julho de 2008

J.M.Coetzee

Um dos objectivos na minha aposentação é ler e reler. Um dos autores contemporâneos que mais me atrai é sem sombra de dúvida, o laureado com o prémio Nobel, J. M. Coetzee.
Estou a ler Elizabeth Costello «Elizabeth Costello, de J. M. Coetzee, não é um livro fácil nem um livro divertido, no sentido de entretenimento da palavra. Trata de uma mulher escritora e a entrar na velhice, que entretém o envelhecimento e rentabiliza o sucesso dos seus livros frequentando o circuito de conferências em universidades e outros areópagos académicos e literários. O livro estrutura-se em capítulos dominados cada um por uma conferência, servindo dois propósitos: por um lado permite ao autor abordar uma série de temas contemporâneos de índole artística e filosófica (a crise do realismo literário, a emergência dos direitos dos animais, a natureza da literatura africana, a relação entre a arte e o mal, etc.); por outro, e a partir dessas abordagens, estabelecer em simultâneo um retrato ou um perfil da sua personagem e um quadro do estádio ético e moral do mundo dos nossos dias.O livro tem um tom amargo, desiludido, mas a sua leitura é compulsiva e fascinante. É admirável como com um conjunto relativamente escasso de descrições e peripécias, e mais através de subtis sinais, o autor consegue compor um retrato intenso e profundo da personagem principal, dando-lhe verdadeiramente uma alma. Além disso Coetzee partilha uma qualidade muito comum nos escritores anglo-saxónicos que é a de serem simultaneamente muito simples e directos ao nível da linguagem utilizada (a sintaxe convencional, a narrativa fluente e linear, aquilo a que se costuma chamar uma prosa 'no-nonsense'), mas complexos e ambiciosos nos temas e questões abordados.J. M. Coetzee é sul-africano, prémio Nobel da literatura, e maior parte dos seus livros estão traduzidos e editados em português (se bem que eu li o livro numa edição de bolso inglesa, que custou metade do preço da edição nacional – ambas à venda na mesma livraria, a meia dúzia de estantes uma da outra).»

Diets always begins tomorrow...

Tenho de emagrecer. Não posso continuar mais com este peso. Quero emagrecer e vou emagrecer. Gordos ou obesos de todo o mundo ajudai-me. Vou fazer do meu blog um processo de emagrecimento. Ele vai ser o meu terapeuta. Veremos como me vou aguentar.

sábado, 26 de julho de 2008

Prémio Camões 2008

João Ubaldo Ribeiro


"Se não entendo tudo, devo ficar contente com o que entendo. E entendo que vejo estas árvores e que tenho direito a minha língua e que posso olhar nos olhos dos estranhos e dizer: não me desculpe por não gostar do que você gosta; não me olhe de cima para baixo; não me envergonhe de minha fala; não diga que minha fala é melhor do que a sua; não diga que eu sou bonito, porque sua mulher nunca ia ter casado comigo; não seja bom comigo, não me faça favor; seja homem, filho da puta, e reconheça que não deve comer o que eu não como, em vez de me falar concordâncias e me passar a mão pela cabeça; assim poderei matar você melhor, como você me mata há tantos anos."

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Aproveite, veja e seja solidário

Salvador Mendes de Almeida e a sua Associação da inclusão de deficientes.

Memórias do Algarve


Intersecções Intersectadas

O apartheid e o pós-apartheid pela mão do marcante fotógrafo sul-africano David Goldblatt. Várias décadas de história vistas a preto e branco e a cores. Até 12 de Outubro no Museu de Serralves.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Cecília Meirelles para recordar e no meu caso para me identificar

Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.

Cecília Meireles