sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Gostava de saber os níveis de filantropia dos mais ricos em Portugal.

«O Sanatório de Sant’Anna foi assim inaugurado no dia 31 de Julho de 1904, por D. Claudina Chamiço, sua instituidora, que o legou à Misericórdia “… por ser a Instituição que pela sua respeitabilidade, antiguidade e garantia de duração, mais própria lhe pareceu para receber este legado”.
Será que nos dias de hoje há assim tantos legados ao país? Hospitais, creches e outras instituições de carácter social, doados por aqueles que têm muito dinheiro. Ao ler a revista Exame, verifiquei que nós neste país tão carente de tudo temos "muitos ricos", Amorim, Belmiro de Azevedo, uma senhora Espírito Santo, os Mellos etc., etc.,. Gostava de saber que obras sociais eles têm feito. Obras concretas: hospitais, creches, ambulatórios, postos médicos etc., etc,. O que até agora tenho lido nos jornais é que o INEM e os Bombeiros não chegam para as encomendas. Onde está a filantropia??

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ao menos que venha uma medalha de bronze. Eu tenho esperança

Continuo com alguma esperança nos nossos atletas nos Jogos Olímpicos, mas já era hora de alguma medalha, de bronze pelo menos. Tanta propaganda e tanta prosápia dos nossos governantes e afinal os nossos atletas não têm condições para chegar lá. Vejam no futebol a quantidade de estádios que foram feitos no nosso país, para o campeonato europeu. Seriam necessários tantos? Comparemos com a Noruega, o país mais rico da Europa, nem meia dúzia de estádios têm e nós quase uma dúzia. Como eu gostava de compreender tudo isto. Como eu gostava de perceber como são geridos os impostos deste povo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Receita para um jet - set nacional, por Mia Couto

Já vimos que, em Moçambique, não é preciso ser rico. O essencial é parecer rico. Entre parecer e ser vai menos que um passo, a diferença entre um tropeço e uma trapaça.No nosso caso, a aparência é que faz a essência. Daí que a empresa comece pela fachada, o empresário de sucesso comece pelo sucesso da sua viatura, a felicidade do casamento se faça pela dimensão da festa. A ocasião, diz-se, é que faz o negócio. E é aqui que entra o cenário dos ricos e candidatos a ricos: a encenação do nosso "jet-set".O "jet-set" como todos sabem é algo que ninguém sabe o que é. Mas reúne a gente de luxo, a gente vazia que enche de vazio as colunas sociais. O jet-set moçambicano está ainda no início. Aqui seguem umas dicas que, durante o próximo ano, ajudarão qualquer pelintra a candidatar-se a um jet-setista. Haja democracia! As sugestões são gratuitas e estão dispostas na forma de um pequeno manual por desordem alfabética:Anéis - São imprescindíveis. Fazem parte da montra. O princípio é: quem tem boa aparência é bem aparentado. E quem tem bom parente está a meio caminho para passar dos anéis do senhor à categoria de Senhor dos Anéis O jet-setista nacional deve assemelhar-se a um verdadeiro Saturno, tais os> anéis que rodeiam os seus dedos. A ideia é que quem passe nunca confunda o jet-setista com um magaíça*, um pobre, um coitado. Deve-se usar jóias do tipo matacão, ouros e pedras preciosas tão grandes que se poderiam chamar de penedos preciosos. A acompanhar a anelagem deve exibir-se um cordão de ouro, bem visível entre a camisa desabotoada.Boas maneiras - Não se devem ter. Nem pensar. O bom estilo é agressivo, o arranhão, o grosseiro. Um tipo simpático, de modos afáveis e que se preocupa com os outros? Isso, só uma pessoa que necessita de aprovação da sociedade. O jet-setista nacional não precisa de aprovação de ninguém, já nasceu aprovado. Daí os seus ares de chefe, de gajo mandão, que olha o mundo inteiro com superioridade de patrão. Pára o carro no meio da estrada atrapalhando o trânsito, fura a bicha**, passa à frente, pisa o cidadão anónimo. Onde os outros devem esperar, o jet-setista aproveita para exibir a sua condição de criatura especial. O jet-setista não espera: telefona. E manda. Quando não desmanda.
Cabelo - O nosso jet-setista anda a reboque das modas dos outros. O que vem dos americanos: isso é que é bom. Espreita a MTV e fica deleitado com uns moços cuja única tarefa na vida é fazer de conta que cantam. Os tipos são fantásticos, nesses video-clips: nunca se lhes viu ligação alguma com o trabalho, circulam com viaturas a abarrotar de miúdas descascadas. A vida é fácil para esses meninos. De onde lhes virá o sustento? Pois esses queridos fazem questão em rapar o cabelo à moda militar, para demonstrar a sua agressividade contra um mundo que os excluiu mas que, ao que parece, lhes abriu a porta para uns tantos luxos. E esses andam de cabelo rapado. Por enquanto.
Cerveja - A solidez do nosso matreco vem dos líquidos. O nosso candidato a jet-setista não simplesmente bebe. Ele tem de mostrar que bebe. Parece um reclame publicitário ambulante. Encontramos o nosso matreco de cerveja na mão em casa, na rua, no automóvel, na casa de banho. As obsessões do matreco nacional variam entre o copo e o corpo (os tipos ginasticam-se bem). Vazam copos e enchem os corpos (de musculaças). As garrafas ou latas vazias são deitadas para o meio da rua. Deitar a lata no depósito do lixo é uma coisa demasiado "educadinha". Boa educação é para os pobres. Bons modos são para quem trabalha. Porque a malta da pesada não precisa de maneiras. Precisa de gangs. Respeito? Isso o dinheiro não compra. Antes vale que os outros tenham medo.
Chapéu - É fundamental. Mas o verdadeiro jet-setista não usa chapéu quando todos os outros usam: ao sol. Eis a criatividade do matreco nacional: chapéu ele usa na sombra, no interior das viaturas e sob o tecto das casas. Deve ser um chapéu que dê nas vistas. Muito aconselhável é o chapéu de cowboy, à la Texana. Para mostrar a familiaridade do nosso matreco com a rudeza dos domadores de cavalos. Com os que põe o planeta na ordem. Na sua ordem.Cultura - O jet-setista não lê, não vai ao teatro. A única coisa que ele lê são os rótulos de uíque. A única música que escuta são umas "rapadas e hip-hopadas" que ele generosamente emite da aparelhagem do automóvel para toda a cidade. Os tipos da cultura são, no entender do matreco nacional, uns desgraçados que nunca ficarão ricos. O segredo é o seguinte: o jet-setista nem precisa de estudar. Nem de ter Curriculum Vitae. Para quê? Ele não vai concorrer, os concursos é que vão ter com ele. E para abrir portas basta-lhe o nome. O nome da família, entenda-se.
Carros - O matreco nacional fica maluquinho com viaturas de luxo. É quase uma tara sexual, uma espécie de droga legalmente autorizada. O carro não é para o nosso jet-setista um instrumento, um objecto. É uma divindade, um meio de afirmação. Se pudesse o matreco levava o automóvel para a cama. E, de facto, o sonho mais erótico do nosso jet-setista não é com uma Mercedes. É, com um Mercedes.
Fatos - Têm de ser de Itália. Para não correr o risco do investimento ser em vão, aconselha-se a usar o casaco com os rótulos de fora, não vá a origem da roupa passar despercebida. Um lencinho pode espreitar do bolso, a sugerir que outras coisas podem de lá sair.Simplicidade - A simplicidade é um pecado mortal para a nossa matrecagem. Sobretudo, se se é filho de gente grande. Nesse caso, deve-se gastar à larga e mostrar que isso de país pobre é para os outros. Porque eles (os meninos de boas famílias) exibem mais ostentação que os filhos dos verdadeiros ricos dos países verdadeiramente ricos. Afinal, ficamos independentes para quê?Óculos escuros - Essenciais, haja ou não haja claridade. O style - ou em português, o estilo - assim o exige. Devem ser usados em casa, no cinema, enfim, em tudo o que não bate o sol directo. O matreco deve dar a entender que há uma luz especial que lhe vem de dentro da cabeça. Essa a razão do chapéu, mesmo na maior obscuridade.
Telemóvel - Ui, ui, ui! O celular ou telemóvel já faz parte do braço do matreco, é a sua mais superior extremidade inferior. A marca, o modelo, as luzinhas que acendem, os brilhantes, tudo isso conta. Mas importa, sobretudo, que o toque do celular seja audível a mais de 200 metros. Quem disse que o jet-setista não tem relação com a música clássica? Volume no máximo, pelo aparelho passam os mais cultos trechos: Fur Elise de Beethoven, a Rapsódia Húngara de Franz Liszt, o Danúbio Azul de Strauss. No entanto, a melodia mais adequada para as condições higiénicas de Maputo é o Voo do Moscardo. Última sugestão: nunca desligue o telemóvel! O que em outro lugar é uma prova de boa educação pode, em Moçambique, ser interpretado como um sinal de fraqueza. Em Conselho de Ministros, na confissão da Igreja, no funeral do avô: mostre que nada é mais importante que as suas inadiáveis comunicações. Você é que é o centro do universo!
Mia Couto

Eu não posso ficar passiva...e você?

Uma criança de 11 anos foi morta, segunda-feira, por disparos de um militar da GNR, numa perseguição depois de um assalto, em que participaram dois adultos (incluindo o pai da criança).
O pai da criança segundo parece era um foragido de Alcoentre.
Pergunto: onde é que está o papel do estado na protecção desta criança oriunda de uma família de risco? Onde é que está o papel da segurança social, no apoio a esta criança, visitando-a e sabendo em que condições vive?
É este o fado dos desfavorecidos da sorte, criados em famílias funcionais, que quando são pobres são pobres em tudo. Onde está a igualdade de oportunidades? Onde está a escola que em princípio deveria ter em conta as condições psicológicas desta criança? EU não posso ver só o lado positivo da vida, eu não posso ficar passiva perante a injustiça porque essa atitude é um dos sete sapatos sujos que tenho que descalçar para entrar na modernidade, como disse Mia Couto, numa das suas conferências.

Esta manhã acordei com Borges no meu pensamento

Eu gostava como no conto de Borges, ser a protagonista que se depara com a possibilidade de conhecer o ponto do espaço que abarca toda a realidade do universo num local bastante inusitado: no porão de um casarão situado em Buenos Aires, prestes a ser demolido. Este ponto recebe a alcunha de Aleph - a letra inicial do alfabeto hebraico, correspondente ao alfa grego e ao a dos alfabetos romanos.
(Adaptação do texto da Wilkipédia sobre Borges)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Ah esqueci-me de dizer que a minha cadela me acompanha sempre


Um novo dia

De manhã desço ao jardim e recupero as forças para um novo dia. Neste espaço escuto a voz do mar em dias de ondas alteradas e noutros mais luminosos brinco com a minha neta ou converso com uma das minhas filhas que está a passar uns tempos comigo.

Tenho de agradecer quando acordo tudo o que tenho, mesmo os bons e os maus momentos. Nada me falta e particularmente sinto-me mal, quando protesto, tendo em conta aqueles que longe são violados, passam fome e são humilhados nos direitos que a que têm direito. Oiço as notícias da Georgia e pergunto a mim mesma quando é que um dia o mundo poderá ser uma paisagem de paz e harmonia? Olho para África e pergunto quando é que as crianças vão deixar de ser exploradas e as suas necessidades primárias satisfeitas? Olho para a Amazónia e pergunto quando é que a sua destruição abrandará pois afectará o equilíbrio ecológico planetário?

Podia fazer uma e mais perguntas, por isso tenho de agradecer tudo o que tenho mesmo que tenha de sofrer pelas imprevidências cometidas e pelos atalhos mal escolhidos.

Mas como diz Mia Couto temos de descalçar sete sapatos sujos para seguir em frente e entrar na modernidade:


  • A ideia de que os culpados são sempre os outros

  • A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho

  • O preconceito de quem critica é um inimigo

  • A ideia de que mudando as palavras se muda a realidade

  • A vergonha de ser pobre e o culto das aparências

  • A passividade perante a injustiça

  • A ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros

É sempre bom termos algumas ideias para a nossa meditação diária