Citando o Dhammapada (palavras do Buda): «Em todas as coisas o principal é a mente; a mente é predominante. Tudo se faz a partir da mente. Se um homem fala ou age com uma mente purificada, a felicidade acompanha-o de tão perto como a sua sombra inseparável.” Assim, se o Homem conseguir corrigir a sua mente, repelir a Ignorância que está na base do Sofrimento e purificar a sua Mente, encontra a Sabedoria e, repele o Sofrimento.»Um blogue intimista mas ao mesmo tempo aberto para os outros. Um blogue de reflexão sobre o mundo que me rodeia. Falar sobre este país e estas pessoas, falar de museus, bibliotecas, cinema, literatura, dança, teatro, política e sociedade. Enfim um blogue que desejo vivido.
domingo, 24 de agosto de 2008
Citando o Dhammapada
Citando o Dhammapada (palavras do Buda): «Em todas as coisas o principal é a mente; a mente é predominante. Tudo se faz a partir da mente. Se um homem fala ou age com uma mente purificada, a felicidade acompanha-o de tão perto como a sua sombra inseparável.” Assim, se o Homem conseguir corrigir a sua mente, repelir a Ignorância que está na base do Sofrimento e purificar a sua Mente, encontra a Sabedoria e, repele o Sofrimento.»sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Coragem
Que a coragem não me falte, ao acordar
Que o olhar não se turve, se chorar
Que os ombros não se curvem, se pesar
Que o sorriso não esmoreça, se gelar
Que o meu passo não vacile, se doer
Que o sonho não desista, se sofrer
Que as mãos não se fechem, se perder
Que o medo não me vença, se vier
Que, enfim, o dia nasça devagar
E a lua, devagar, vá descansar
Que eu preciso de mim para viver
E não passo sem aquilo que sei ser.
Título: Coragem
Autor(a): Maria Carrilho
Data: Primavera de 2003
Que o olhar não se turve, se chorar
Que os ombros não se curvem, se pesar
Que o sorriso não esmoreça, se gelar
Que o meu passo não vacile, se doer
Que o sonho não desista, se sofrer
Que as mãos não se fechem, se perder
Que o medo não me vença, se vier
Que, enfim, o dia nasça devagar
E a lua, devagar, vá descansar
Que eu preciso de mim para viver
E não passo sem aquilo que sei ser.
Título: Coragem
Autor(a): Maria Carrilho
Data: Primavera de 2003
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
A propósito da morte do ourives em Setúbal
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Admiro a coerência destes dois homens que por uma questão de príncípio, recusaram dois importantes prémios monetários
Herberto Helder em 1994 recusou o prémio Pessoa no valor de 7 000 Euros, e o dinheiro fazia-lhe falta, vive numa casa modesta com a sua mulher.
Em 2006, o escritor angolano Luandino Vieira recusou o prémio Camões no valor de 100.000 Euros. Ele vive retirado num convento.
Como eu os admiro... e como me lembro de outros com tanta crítica e láf oram receber os prémiozinhos pecuniários.
«Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida, a vida inteira, está ali como... como um acontecimento excessivo... Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos? »
«Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida, a vida inteira, está ali como... como um acontecimento excessivo... Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos? »
in Os Passos em Volta - Estilo
Herberto Helder
"Quando escrevi Luanda eu estava preso, em 1961/62. (...) A minha mulher, Linda, a quem o livro é dedicado, dactilografou e mostrou a um amigo que era jornalista no ABC, que era o jornal dos democratas liberais portugueses. O Alfredo Bobela Motta, angolano, escritor e nosso amigo era, na época, 1963, chefe de redacção. E decidiu logo que se devia avançar e fazer o livro. O livro foi então composto na tipografia do jornal. E o tipógrafo tirou logo provas que depois circularam nos musseques de Luanda. Esta foi a edição que veio para Portugal para o concurso da Sociedade Portuguesa de Escritores. Noutra edição do Luanda é que o título está a vermelho. A edição “brasileira.” Essa é uma história incrível. A indicação é que se trata de uma edição feita em Belo Horizonte, mas a realidade é que essa edição foi feita à minha revelia, por dois agentes da PIDE, em Portugal, na tipografia Pax, penso eu. Com todo aquele escândalo, que envolveu a destruição da Sociedade Portuguesa de Escritores, o livro tornou-se muito procurado. Esses dois agentes fizeram o livro, em Braga, distribuíram e ganharam um bom dinheiro com aquilo. O meu advogado quis logo meter um processo em tribunal e isso deu uma outra história incrível. Resumindo, perdi o processo, porque não se conseguiu provar nada – embora tudo fosse evidente até pelo tipo de papel era fácil identificar a tipografia – e ainda tive de pagar as custas do processo".
Luandino Vieira (retirado de Carta Maior)
Comoveu-me a tristeza de Gustavo Lima
«Gustavo Lima falhou a medalha de bronze da classe Laser dos Jogos Olímpicos por um ponto e anunciou, em lágrimas, o fim da sua carreira na vela. O canonista Emanuel Silva qualificou-se para as meias-finais."O que eu sofri para chegar aqui foi muito. As pessoas podem rir, podem gozar por eu estar a chorar. Mas eu sofri muito e já estou farto e vou abandonar a vela", declarou Gustavo Lima, após perder a medalha de bronze por um ponto.»
Fiquei comovida com este desespero e a falta de apoio que ele denunciou. As escolas para desenvovimento do desporto na infância é só futebol, futebol, futebol e as outras modalidades que se amanhem. Quem tem pai rico consegue ir mais longe, neste caso até agora não se notou, quem tem pai pobre, não pode ir ao BES, tem de ser a luta, a coragem e a abnegação como demonstrou Vanessa Fernandes que a todos nos orgulhou. Já repararam que as medalhas que temos tido são quase todas referentes a desportos que basta correr bem e ter um descampado para treinar.
Os nosssos atletas deviam ter ido dois ou três meses antes para Pequim para se ambientarem aos locais onde iam prestar provas.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Hoje o vento sopra forte e eu oiço o ruído do mar...

Ondas que descansam no seu gesto nupcial
abrem-se caem
amorosamente sobre os próprios lábios
e a areia
ancas verdes violetas na violência viva
rumor do ilimite na gravidez da água
sussurros gritos minerais inércia magnífica
volúpia de agonia movimentos de amor
morte em cada onda sublevação inaugural
abre-se o corpo que ama na consciência nua
e o corpo é o instante nunca mais e sempre
ó seios e nuvens que na areia se despenham
ó vento anterior ao vento ó cabeças espumosas
só silêncio sobre o estrépito de amorosas explosões
e só eternidade do mar ensimesmado unânime
em amor e desamor de anónimos amplexos
múltiplo e uno nas suas baixelas cintilante
só mar ó presença ondulada do infinito
ó retorno incessante da paixão frigidíssima
ó violenta indolência sempre longínqua sempre ausente
Facilidade do ArLisboa,
Caminho, 1990
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