domingo, 31 de agosto de 2008

Só em Portugal 31 mulheres assassinadas por violência doméstica. Que horrror. Mas o problema é mundial.


Minha culpa

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...
Florbela Espanca

sábado, 30 de agosto de 2008

Espanto dos espantos - o mundo da rúcula começou para mim.

Sim, penso que desta vez começei a fazer dieta. Começou no dia 29 de Agosto. Data estranha. Consultei a minha querida médica e quando fui à farmácia levantar os medicamentos homeopáticos de apoio, disse para comigo «Anad está na hora» e estranhamente iniciei o processo. Não vou falar mais nele enquanto não tiver resultados.

Há-de flutuar uma cidade

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)


um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz sempre
tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Começar esta manhã com Ruy Belo

Mas que sei eu
Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu sei que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha

Ruy Belo
Todos os Poemas

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O programa de verão do Serviço Educativo do Museu de Alpiarça veio para ficar




Ateliês de pintura e teatro de fantoches realizado pelas voluntárias do museu. Um grupo fantástico de antigas professoras do 1º ciclo e outras senhoras, todas reformadas, que generosamente dão parte do seu tempo livre ao projecto do serviço educativo do museu. Museologia Social é isto, trabalho voluntário e projectos com a comunidade de forma continuada.


Os ateliês de dança no Museu dos Patudos em Alpiarça foram um sucesso. Claro que o bailarino professor foi fantástico