segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Um poema para a felicidade


Um poema para a felicidade...
É urgente o amor. É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer.


Eugénio de Andrade

domingo, 14 de setembro de 2008

Carl Rogers - o meu guru dos anos setenta, quando começei a dar aulas

"Um indivíduo consegue hoje um diploma de curso superior sem nunca
ter aprendido a comunicar-se, a resolver conflitos, a saber o que fazer
com a raiva e outros sentimentos negativos" (Carl Rogers)

sábado, 13 de setembro de 2008

Saber perdoar

«Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.»

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O Cristo da nova igreja de Fátima - autoria Catherine Green

No blogue da Laurinda Alves, hoje, ela revela a emoção negativa que sentiu ao visitar com a mãe o interior da nova igreja de Fátima. Ao olhar para o Cristo que está suspenso junto ao altar ela descreve-o desta maneira «Lá dentro o Cristo na cruz, suspenso sobre o centro do altar. Tudo como seria de esperar se este Cristo não fosse uma figura estranha, desproporcionada e quase assustadora. A minha mãe já O tinha visto mas eu não. Ao meu lado e em tom reverente, dadas as circunstâncias, disse em voz baixa mas altamente indignada: Já viste? É muito feio e tem cara de facínora. Mete medo. Este não é o Cristo que eu conheço!
Não pude conter um ataque de riso em plena igreja a olhar para a 'cara de facínora' daquele Cristo. É medonho, sim e também eu não reconheço este Cristo. Quem será o autor?»
Mais uma vez eu discordo de Laurinda Alves, a escultura da autoria de uma irlandesa, mostra um Cristo com os traços característicos do local onde nasceu. Lourinho e de olhos azuis só em imagens do tempo da «outra senhora».
E já agora o que é ter cara de facínora?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada



Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

Alberto Caeiro

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Vilma Arêas.

"De costas para a cordilheira e para a mulher de pedra esculpida no ar, abriu a névoa da praça com as duas mãos. Viu os seis peixes deitados no gravalho do ladrilho junto à porta. Entrou aspirando aquele cheiro de pedra, humidade e treva. Percorreu aposento por aposento, subiu e desceu degraus, passou as mãos nas paredes geladas. Reconheceu a voz cantarolando 'el sitio de mi recreo' em tom casual, não viu ninguém, ouviu Panero recitando 'del color de la vejez es el poema, busco aún mis ojos en el armario'. Dizia também que os tigres eram palácios e que nasciam cactos de suas veias."

domingo, 7 de setembro de 2008

Eu vou comprar e depois comentarei


«Le moine et le philosophe, resultou de conversas entre o filósofo francês Jean-François Revel e o seu filho, doutor em biologia, monge tibetano, Matthieu Ricard. O objectivo é esclarecerem o que é o budismo exactamente, e como é possível que desperte tanto interesse num contexto, no seu todo, desfavorável.»