sábado, 20 de setembro de 2008

Pensar positivamente, estou a acreditar

Sou mesmo uma tartaruga que atravessa o oceano sem parar, não tenho dúvida, necessito é de todos os dias impor a mim própria pensamentos positivos, ver beleza nas coisas simples e sobretudo saber perdoar tudo aquilo que me magoou ao longo da vida.
Só hoje, após três meses de aposentada é que tenho consciência do enorme sofrimento que foi há cinco anos e meio, mudar de uma cidade onde estava há mais de vinte anos para outra cidade, de um serviço que criei, para outro novo onde ninguém me conhecia, deixar uma casa que tinha acabado de comprar, para outra casa, acumulando duas rendas e tudo aos 58 anos de idade.
E porquê? Para serem outros a substituirem-me no posto que eu ocupava.
No novo emprego, sabendo dos cargos que tinha anteriormente, a dúvida instalou-se, será que ela queria o lugar dos outros, um lugar de chefia?
Depois comecei a observar o percurso dos meus amigos, cada um a mostrar o seu verdadeiro eu, a fazer aquilo que na realidade queriam fazer - protagonismo e sobrevivência. O trabalho de equipa foi esquecido, os novos políticos deram-lhes postos de chefia e oportunidades de projectos novos e eu sobrevivi, empenhada num sentido de serviço público e terminei a missão com uma grande investigação, um trabalho de campo, um livro publicado de 200 páginas, um catálogo e um livro infantil.
Os meus amigos sabiam o meu percurso de vida e o meu sofrimento, mas congratularem-se com o meu livro, aparecendo na apresentação do mesmo ou apresentá-lo noutras paragens, isso não aconteceu.
É desta mágoa que finalmente estou a libertar-me pois levo muito tempo a fazer o luto, e tive tantos lutos para fazer. Hoje decidi que quero pensamentos positivos e saber perdoar os outros e a mim mesmo pelos erros cometidos.
Tenho projectos de investigação em marcha, com futura publicação de dois livros, a inauguração de uma exposição e a implementação de dois serviços educativos, além de ter voltado aos trabalhos artísticos e artesanais, assim como à meditação e procurarei mais tarde o yoga.
Os meus netos e os meus filhos são um grande objectivo da minha vida, digo netos porque vou ter um novo neto em Março, de um dos meus filhos e da minha nora, vai-se chamar António Maria e será um grande companheiro da Francisca.
Meditar, comer saudavelmente, fazer longos passeios, olhar o mundo com alegria e esperança, ir espreitar o mar todos os dias, já que vivo a dois minutos dele, encher o peito de ar, ver beleza nas coisas pequenas e essencialmente saber perdoar e não ter sentimentos negativos no coração, isto não quer dizer que eu queira voltar atrás, não, uma coisa é perdoar, outra é cortar com o mal que tanto sofrimento me causou afastando-me. Vendi a minha casa na antiga cidade e só tenciono ir a esse lugar esporadicamente, para situações muito concretas.
Aguarda-me aquilo que não custa dinheiro, o afecto pelos meus, o sol, a chuva, o mar, a natureza, a meditação, olhar a beleza e senti-la dentro de mim e tranmiti-la aos meus entes mais novos, a já existente e os que estão para vir. Adquirir sabedoria e saber viver com pouco. Li num artigo de jornal que há pessoas que são capazes de viver com 100 objectos, admirei-as, eu que tenho a casa tão cheia, mas agora vou começar a esvaziá-la de tudo o que é inútil para mim e faz falta a outras pessoas-
A vida deve ser renovada constantemente para melhorar a nossa existência, tal como as empresas fazem as análises swot: detectar pontos fortes, pontos fracos, ameaças e opotrunidades e depois transformar os pontos fracos em fortes e as ameaças em oportunidades.
Transformar pontos negativos em positivos - um objectivo prioritário.
"Nós conhecemos o mundo exterior de sensações e acções mas, do nosso mundo interior de pensamentos e sentimentos, nós conhecemos muito pouco. O objectivo primário da meditação é que nos tornemos conscientes e que nos familiarizemos com a nossa vida interior. O objectivo final é alcançar a fonte da vida e da consciência."

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

David Mourão Ferreira


E por vezes as noites duram meses

E por vezes os meses oceanos

E por vezes os braços que apertamos

nunca mais são os mesmos

E por vezes encontramos de nós em poucos meses

o que a noite nos fez em muitos anos

E por vezes fingimos que lembramos

E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos

só o sarro das noites não dos meses

lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos

E por vezes por vezes ah por vezes

num segundo se envolam tantos anos.


Hoje o dia é daqueles que eu gosto


Água que bate nos vidros, o seu ruído
faz-me acordar.
O dia está cinzento e torna o meu quarto ameno,
por mais estranho que pareça.
Recordo a minha infância, quando os dias estavam
frios e chuvosos, eu ficava na cama mais tempo e
dizia para mim baixinho, chove, chove mais...
e enrolava-me nos cobertores,
ouvindo o som desigual da chuva a bater nas portadas.
Sempre gostei do Outono e das primeiras chuvas,
ao contrário das outras pessoas que ansiavam
por um raio de sol.
Depois o conforto terminava, quando mais ou menos afável,
a voz da minha mãe me vinha acordar.
Um dia, sei lá porquê, ela disse-me com afecto esta frase que eu nunca esqueci:
«já o sol se levanta, no seu manto cor-de-rosa
e tu minha preguiçosa, assim desprezas quem canta?»
Hoje o dia é daqueles que eu gosto.


Anad


terça-feira, 16 de setembro de 2008

Hoje foi mais um dia


Hoje foi mais um dia que passou,

verde e azul quando assomava à janela,

olhando as copas das árvores, atentas aos pássaros.


Hoje foi mais um dia que passou

cinzento e branco, angustiante e sombrio

pelo muito que pensou ter feito, pelo nada que resultou.


Hoje foi mais um dia que passou.


Anad

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Um poema para a felicidade


Um poema para a felicidade...
É urgente o amor. É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer.


Eugénio de Andrade

domingo, 14 de setembro de 2008

Carl Rogers - o meu guru dos anos setenta, quando começei a dar aulas

"Um indivíduo consegue hoje um diploma de curso superior sem nunca
ter aprendido a comunicar-se, a resolver conflitos, a saber o que fazer
com a raiva e outros sentimentos negativos" (Carl Rogers)

sábado, 13 de setembro de 2008

Saber perdoar

«Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.»