segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Desenho do António Maria: Árvore de Natal com bolas

Tenho-me esquecido de dar notícias...

Tenho andado pelo facebook e pelas minhas tarefas diárias, médicos, neto, netas etc. e tenho descuidado um pouco o meu blogue.
Novidades frescas fui com umas amigas ver o filme «'A Pele onde Eu Vivo', o novo filme de Pedro Almodóvar, e é uma história de "terror cirúrgico" baseada num livro policial francês e que evoca vários filmes clássicos do género, bem como o mito de Frankenstein.
Almodóvar chegou a pensar fazer o filme a preto e branco e sem som, e Antonio Banderas tem um papel totalmente atípico, o de um cirurgião plástico que inventou um novo tipo de pele e a testa numa rapariga que sequestrou.» Simplesmente adorei e o Banderas de quem eu não gosto muito está muito bem dirigido neste filme. Também já tinha visto o último do Woody Allen que gostei imenso e dois portugueses, um da Teresa Villaverde Cabral «O Cisne» que não desgostei e um que adorei do João Canijo «Sangue do meu Sangue». Eu gosto de filmes fortes, que retratam vários aspectos da vida no mundo. Aspectos reais, porque a arte traduz a vida e não o contrário.
Os meus netos ajudaram a fazer a minha árvore de Natal e enfeitaram-na com desenhos feitos por eles. O progresso da Francisca em termos gráficos é notável. O António Maria evoluiu imenso em números e letras, assim como a Margarida que ontem contou-me de 1 a 14 de seguida. É a vida que nos irá substituir no ramo familiar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

E não sou só eu a falar

O antigo bispo de Setúbal Manuel Martins está "triste e revoltado" com as situações de "miséria absoluta" existentes em Portugal. Consequência de uma "economia diabólica, desgraçada, hiper super liberal".

Em declarações à Lusa, a propósito do convite que lhe foi feito pelo provedor da Misericórdia do Porto para apoiar a criação de um fundo de emergência social, Manuel Martins questionou se o governo não verá notícias, uma vez que diariamente "todos os meios de comunicação social divulgam casos de instituições que dão comida a quem precisa".

"Por todos os lados surgem iniciativas. Isto diz a situação em que nos encontramos. O governo verá isto?", perguntou.

O antigo bispo de Setúbal questionou mesmo como é que "um governo se considera legítimo quando permitiu que um país chegasse a esta situação, que pela comunicação social parece de uma miséria absoluta".

"Aquilo que é fundamental num estado social este governo está a matar, com as exigência que põe, com os benefícios que retira", frisou.

Manuel Martins, que afirmou "estar disposto a fazer todo o bem que puder", lamentou, contudo, não ser ouvido.

"Ando sempre à volta disto, mas o meu púlpito agora é muito pequenino. Quando era bispo da diocese ou tinha um cargo na conferência episcopal, eu tinha púlpito, agora falo, mas o meu púlpito é pequenino", disse.

O bispo confessou estar "pessimista" quanto ao futuro do país e comparou a actual situação a uma emergência quase impossível de salvar.

"Nós estamos assim na situação em que vemos um trabalhador no fundo de um poço, não sei de quantos metros, e era preciso salvá-lo, mas estamos numa situação em que nem corda temos para lhe atirar", frisou.

Para Manuel Martins, Portugal atravessa uma situação económica financeira muito complicada, "fruto de dependências".

"É uma economia diabólica, desgraçada, hiper super liberal, que tem lá no alto da pirâmide meia dúzia de homens que mandam no mundo e muitas vezes desgraçam o mundo", disse, acrescentando que o "poder político está inteiramente dependente do poder económico".

Na sua opinião, algumas "hesitações" do governo ligadas a obras públicas, em especial o TGV e a segunda ponte sobre o Tejo, surgiram "mais por força de imposições, de dependências criadas com o poder económico, do que propriamente de um projecto sério, bem alinhado e pensado".

Manuel Martins criticou ainda a "falta de transparência" do Governo.

Na sua opinião, o Governo, "deve funcionar como uma família", dizendo aos portugueses, com verdade, a real situação em que o país se encontra, quais as dificuldades a ultrapassar e os projectos para ultrapassar a situação.

"Há muita coisa escondida. Bem sei que há coisas, como na própria família, que não se revelam por inteiro, mas a transparência faz parte da democracia", concluiu

Ando muito azeda

Ando muito azeda apesar de ser época natalícia. As notícias que vêm no jornal deixam-me cada vez mais perturbada com tanta injustiça:
- segundo o relatório da OCDE, Portugal é o país com mais assimetrias;
- os filhos dos desempregados não recebem abono de família;
- O governo nomeou três pessoas por dia desde que tomou posse;
- Dívida da Madeira sobe para seis mil milhões de euros;
- Sem-abrigo: De Marselha a Hamburgo, a caça aos pobres generaliza-se;
- Alemanha e França querem novo tratado europeu a 17 ou 27;
- Taxas moderadoras na saúde passam a custar o dobro;
- Igreja do Convento dos Inglesinhos à venda por 2 milhões;
- Portugal continua sem estratégia de prevenção e combate à corrupção;
- Reformas na Suíça com tecto máximo de 1700 euros;
- Hungria ilegaliza os sem-abrigo:

E nós o que é que fazemos????

E agora dou a palavra a Frei Fernando Ventura

Natal com menos... Natal melhor

"Ser hoje luz num tempo de sombras, parece ser o “destino” de cada um de nós no tempo que passa, num tempo que passa e que dói, que dói esta dor funda da impotência, da impotência diante dos gigantes das sombras que se agigantam e que parecem querer tomar de assalto tudo o que mexe, tudo o que respira e tudo o que sonha.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

O mundo, o país e cada um de nós, vive tempos de esperança e de mudança, em que o novo surge como a nova fronteira a conquistar, mas onde o medo e os medos teimam em formar barreira diante dos olhos, destes olhos feitos para ver a luz, feitos para encarar o medo, feitos para não terem de ver o sol só refletido nos charcos.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

Se calhar, a maior conquista do tempo do medo que passa, foi precisamente esta de nos ter tirado a capacidade de ousar levantar a cabeça, de ousar olhar para além do imediato do já, em direção ao menos “imediato” do ainda não, mas que está e vive em tensão de devir, de futuro, de projeção para diante, num diante que encontra a utopia e faz dela o sonho, um sonho que vence o medo, um sonho que se abre à luz.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

É por aqui que passa o segredo, este segredo que invejosamente levamos dentro sem partilhar, que envergonhada e pudicamente escondemos e que não conseguimos dar à luz e que nos faz gemer, gemer as dores do parto que tarda, gritar o grito das vozes caladas.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

E no entanto, a gravidez do tempo existe, as dores do parto afligem-nos, o nascimento tarda em acontecer, e o meu povo sofre, e a minha gente grita, o grito surdo que a voz rouca não é capaz de calar, mas que o medo embota, e que o desespero não deixa encontrar a paz.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

Neste tempo de vozes que gritam, que gritam a esperança que não é, que gritam promessas que não são, que esboçam sorrisos que são só esgares, eu paro e pasmo, qual basbaque embrutecido diante do palácio da ignomínia alcandorado em conto de fadas, das mil e uma noites de uma aurora boreal que é só ilusão e nada, de um nada que teima em ser e de um ser que já não é.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

E eu caminho, oh sim, caminho ao mesmo tempo em direção ao nada e ao ser, em direção ao outro e a mim, em direção ao nada e ao tudo, deixando para trás o passado que já foi, indo ao encontro do futuro que parece tardar em vir, no presente que cada vez que se deixa tocar no futuro que se torna passado, porque afinal, não existe.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

E é aqui que começa a minha “crise”, a crise de saber quem sou, onde estou, como estou, quem serei, como serei, onde estarei, como estarei! E é aqui que me dou conta de mim, da minha pequenez de ser, mas de um ser que é, de um ser chamado à existência nesse espaço virtual entre o já e o ainda não, entre o abismo do tudo e a profundidade do nada, num silêncio às vezes só habitado por fantasmas e por vozes, onde a minha se confunde, mas não deixa de existir e de falar. E de dizer NATAL!

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

Fantasmas e vozes de mim, deste ser que me habita e que eu procuro, deste ser que é e que é eternidade, uma eternidade que é já, que é este hoje do meu ser, que é ao mesmo tempo nada e tudo, porque sou eu, em relação comigo, em sorrisos e lágrimas, em alegrias e desesperos, em sonhos e fantasias, em “nadas” e em “tudos” que me habitam, que me “moram” onde eu moro, seja onde for, porque o meu “eu” não tem “lugar”, é, simplesmente, e pronto, comigo, em mim e para além de mim, porque infinito, porque eterno, porque tudo e porque nada, porque é, ao mesmo simultaneamente eternidade e tempo, imanência e transcendência, limite e infinito, kairós e eskaton, já e ainda não

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!"

FELIZ NATAL!

domingo, 4 de dezembro de 2011

sábado, 3 de dezembro de 2011

Amigos e amigas, esta noite sem falta coloco aqui as últimas fotos de Bombaim e assim termina a reportagem da viagem que me custou muito. Não foi a viagem que me custou pois adorei-a, foi colocar aqui tanta foto, escolhendo-as no meio de milhares.