segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Visita a São Petersburg (Parte VI)
















Esta é a chamada Veneza do Norte com inúmeros canais e mais de 400 pontes, resultante do grande projecto urbanistico de Pedro o Grande, já teve o nome de Leninegrado e esta cidade está intimamente ligada à revolução de Outubro porque foi de um barco que hoje é museu vivo que dispararam os três tiros de canhão para começar a revolução. É a segunda maior cidade da Rússia e foi construida sobre cerca de 100 ilhas pantanosas no delta do rio Neva, foi para mim a mais linda cidade que eu vi, incluindo o Rio de Janeiro que já lá estive, e que poderei classificar como a segunda mais bonita essencialmente pela sua paisagem natural, enquanto que esta é uma harmonia total entre património construído e natureza.
A catedral de Nossa Senhora de Kazan impressionou-me, um monumento completamente neoclássico, estilo que eu gosto muito, da autoria do arquitecto Andrei Varonikhin. A igreja tornou-se um Monumento à vitória dos russos sobre Napoleão e dentro dele está o túmulo do Marechal Mikhail Kutuzov que ganhou a campanha. Foi fechada pelos bolcheviques que a transformaram no Museu da História da Religião e do Ateísmo (grande erro dos bolcheviques, proibir a prática religiosa), mas depois da Perestroika voltou a ser edifício de culto e Museu só da religião, porque o Ateísmo desapareceu, modificações históricas, como todos nós sabemos. Este icone de Nossa Senhora de Kazan é de grande devoção, a fila era imensa para o beijar, pois o Staline colocou-o num avião e mandou dar imensas voltas pela cidade de São Petersburgo, para ela não ser atacada pelos alemães e como não foi, o icone ficou para sempre no coração dos russos. Quem diria que o Staline fazia isto.
A catedral de São Isac é a maior da cidade e demorou 40 anos a ser construída, por ordem do Tsar Alexandre I e a sua cúpula dourada domina o horizonte, também durante o governo soviético foi Museu do Ateísmo e tal como aconteceu com a outra, voltou a ser local de culto.
A «iconostasis» que nas igrejas ortodoxas quer dizer a parede do icone que separa o altar do resto da igreja, está emoldurado por 8 colunas de pedra semi-preciosa, seis de malaquite (uma cor verde linda) e duas mais pequenas, de lápis-lazulli (uma cor azulão linda). Vimos também a Catedral do Sangue derramado, local onde o avô de Nicolau II foi assassinado, Alexandre II, que teve o grande mérito de acabar com o regime de servidão que durou até ao século XIX e por isso morreu. À saida da igreja comprei um desenho lindo, vendido por um estudante de arquitectura por cinco euros, se naquela altura eu tivesse mais dinheiro comigo ter-lhe-ia comprado todos os desenhos que eram fantásticos, tal como os seus olhos com a cor de azul ao longe.
Eu por agora não ponho muitas fotos nos textos, mas quando acabar o relatório, vou colocar aqui umas série de fotos temáticas, há neste momento uma secreta esperança de as minhas fotos serem salvas, mas se não for possível tenho as dos meus amigos e amigas do grupo das viagens.
Claro que pelo meio tivemos almoços e jantares com canções e danças russas.

domingo, 9 de agosto de 2009

Um momento de pausa junto ao Pushkin e a sua mulher (Parte V)



Este é um momento de pausa junto à estátua de Pushkin, poeta nascido em São Petersburgo e sua mulher Natalya Goncharova, com quem se casou em 1831. Ele foi um grande escritor, mas era muito mulherengo, até que um dia se apaixonou pela mulher mais bela da Rússia, a tal Natalya. Em 1837, recebeu uma carta do Clube dos «maridos enganados» dizendo que sua mulher começara um escandaloso caso extra-conjugal, Pushkin desafiou o dito amante, Georges dAnthés, para um duelo. Mortalmente ferido em conseqüência deste, Pushkin faleceria dois dias depois. Que estupidez, assim se perdeu um belo poeta e escritor.
Por causa de seus ideais políticos liberais e sua influência sobre gerações de rebeldes russos, Pushkin foi considerado como opositor da literatura e da cultura burguesas e um antecessor da literatura e da poesia soviética.


"O gato que outrora fui, o mesmo ainda serei: leviano, ardente" — Pushkin — (1799-1837)

sábado, 8 de agosto de 2009

Viagem a Novgorod - a cidade mais antiga da Rússia (Parte IV)




Esta foi a viagem mais dificil e aventureira, vir de combóio de Moscovo a Novgorod. Dormimos no combóio naquelas cabines minúsculas sentindo o combóio a rodar a rodar sem parar. Que longe fica Novgorod.
Chegámos à estação de caminho de Ferro de Volhove em Novgorod cerca das 6h e 10m, eu mais morta do que viva, a minha idade já não é para aventuras destas, mas eu sou completamente doida e lá fui tomar o pequeno almoço a um hotel fantástico. O dia estava de muita chuva e vimos coisas muito interessantes, por exemplo as noivas vão colocar o seu ramo nos monumentos em honra dos soldados russos que foram milhões e milhões que morreram na segunda guerra mundial e também vão colocar um cadeado numas árvores de metal que existem por todas as cidades com um desejo: que o casamento dure para sempre, o pior é que não dura porque em 100 casamentos, 60 são divórcios.
Novgorod situa-se na margem do rio Volchov e foi durante séculos um porto importante. A cidade pertenceu à célebre Liga Hansiática e ficava no cruzamento das rotas medievais da Europa. A Igreja de Santa Sofia é de 1046. É a cidade do grande Alexandre Nevsky.
De 1941 a 1944 esteve ocupada pelos Nazis que fizeram muitos estragos, sendo libertada pelo exército soviético. Amanhã começo o meu relatório sobre a cidade mais linda do mundo: São Petersburg.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Rota do Anel de Ouro (Parte III)


A Rota do anel de ouro situa-se a Nordeste da cidade de Moscovo e é aqui que aparece o célebre Rio Volga. Lembram-se da música dos Barqueiros doVolga, é uma paisagem maravilhosa. Esta rota antiga contempla as cidades de Sergiyed Posad, Rostov, Yaroslavi, Kostroma, Souzdal e Vladimir, vimos estas cidades todas em vários dias. O conjunto arquitectónico da Trindade é património da humanidade e é para os russos como Fátima é para nós, muita gente, muitas crianças a serem lavadas pela água milagrosa, eu também a bebi, diga-se de passagem, e as igrejas muito belas. Dentro das muralhas encontra-se a Catedral de S. Sergius e o Túmulo de grande devoção, a Igreja do Espírito Santo e a Catedral da Assunção. A catedral da Trindade foi construida por S. Sergius, o fundador do mosteiro, para substituir a igreja da Trindade em madeira e foi o centro do desenvolvimento do mosteiro. A catedral da Ascensão foi mandada construir por o Ivan o Terrível (aquele que casou sete vezes e quando se queria divorciar mandava matar a mulher, os tsars tinham duas hipóteses ou mandavam matar ou mandavam-nas para os conventos quando se queriam livrar delas).
Rostov é uma bela cidade junto do lago Nero e é linda com o seu Kremlin, este foi residente do Metropolita, que quer dizer patriarca. Em Yaroslavi é uma das cidades que recebeu reformas da Catarina a Grande e tem um urbanismo e edifícios tal como ela queria que fossem feitos, por isso a cidade renovou-se no estilo neoclássico. O Mosteiro da Transfiguração é um dos mais antigos do Alto Volga e tal como a Catedral do mesmo nome e a Igreja do profeta Elias são de morrer de beleza.
Kostroma foi o local do nascimento da dinastia Romanov, com Mikkhail Romanov, a última dinastia, todas as ruas radiais convergem para a praça central mantendo o padrão antigo do século XVII a XIX.
Em Suzdal vi três monumentos espantosos, A Catedral da Natividade, o Mosteiro do Nosso Salvador e S. Eutímios e o Convento da Intersecção, este convento fou fundado em 1364 para acolher as Tzarinas e as mulheres dos boiardos, altamente colocadas e quando eram «banidas», convento com elas ou então morte.
Vladimir tem os portões d'Ouro, a Catedral da Assunção e a catedral de S. Demetrius. Na catedral da Ascenção pudemos ver os frescos de Andrei Rubliov que serviu como modelo para os de Moscovo no Kremlin.
Claro que nos intervalos fui comprando umas recordações para os meus netinhos, filhos e noras, porque os amigos tiveram que ficar de fora, pois só de presentes para o meu núcleo central são 10, mais os meus sogros coitados.
Amanhã fala-vos da aventura que foi ir de combóio de noite de Moscovo para Novogorod.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Viagem a Kolomenskoie (Parte II)



O complexo de Kolomenskoye é de grande importancia, a entrada faz-se pela porta do Salvador que conduz à catedral de Kazan e à Igreja da Ascensão mandada fazer pelo pai do Ivan o Terrível para comemorar o seu nascimento, neste complexo também faz parte o Museu Histórico que é uma espécie de open air museum como há muito nos países do norte da Europa, com vários exemplos de arquitectura em madeira, não nos podemos esquecer que no Norte da Europa as casas durante milhares de anos foram em madeira e ainda o são na Rússia rural. Desde o século XIX a Armaria guardou a tesouraria dos Czares de Moscovo. Na costa alta do Rio Moscovo encontra-se o museu da Armaria e aí depois de ver tantos diamantes, pedras preciosas, prata, ouro e não sei mais o quê, aos montes meus amigos, aos montes, eu compreendi a Revolução de 1917, porque por detrás de tanta riqueza, a morte, a fome de uma população que teve o regime da servidão até Alexandre I tinha que rebentar de alguma forma.
O Museu de TretjaKov foi um museu que me reconciliou pois é um museu das obras primas da arte tradicional russa e tem a melhor colecção de ícones que são de uma beleza excepcional. O Convento de Novodevichy no sudoeste de Moscovo foi construído no século XVI e XVII no chamado estilo Barroco moscovita e fazia parte de uma cadeia de complexos monásticos que integravam a defesa da cidade. É constituido pela catedral de Nª. Srª de Smolensk, a Igreja do Portão da Intersecção. Estas duas principais igrejas do complexo estão rodeadas de lagos, a paisagem é incrível. O cemitério sepulta nomes importantes da literatura como Gogol por exemplo.
Amanhã no meu relatório iniciarei a Rota do Anel D'Ouro. Nesta viagem tive um grande desgosto apaguei quase no fim da mesma as fotos, não sei como o fiz (fartei-me de chorar) felizmente os amigos das viagens vão-me dar a reportagem completa, por isso só tenho fotos de três dias em S. Petersburgo, mas era pior se tivese partido uma perna. Quando chegarmos à parte de S. Petersburgo eu mostro a minha carinha já muito cansada.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A viagem começou por Moscovo (parte I)


A viagem começou por Moscovo e nunca pensei que esta cidade tivesse um ar antigo, diferente do que nós encontramos. Durante o caminho do aeroporto para a cidade vimos os milhares de prédios pré-fabricados mandados construir por Staline e que apresentam um aspecto envelhecido, mas quando chegamos a Moscovo o trânsito é infernal, circulam na cidade quatro milhões de carros todos os dias e só as enormes manchas verdes que existem (parques, jardins, arranjos florais, árvores nas ruas etc.) colmatam a poluição que este excesso de carros provoca. Esta capital da cultura no reinado de Ivan o Terrível (e era mesmo terrível), mudou para S. Petersburgo no século XVIII com Pedro o Grande, mas após a revolução de 1917 os novos donos do poder instauraram novamente a capital em Moscovo.
A Praça Vermelha é o centro de Moscovo e é linda, com o Mausoléu de Lenine, a Catedral de S. Basílio que é de uma beleza excepcional (aliás as igrejas ortodoxas impressionaram-me muito e positivamente, o ambiente de paz e espiritualidade que elas encerram convidam à oração). A rua Arbat, rua de comércio é uma zona pedonal cheia de matrioskas.«Uma matrioshka, matriochka ou matrioska (em russo матрёшка ou матрешка, Matryoshka) ou boneca russa é um brinquedo tradicional da Rússia, constituída por uma série de bonecas, feitas de diversos materiais, ainda que o mais frequente seja a madeira, que são colocadas umas dentro das outras, da maior (exterior) até a menor (a única que não é oca). A palavra provém do diminutivo do nome próprio Matryona.»
Todas as cidades russas importantes têm o seu Kremlin constituido por uma muralha onde dentro existem palácios e os zimbórios das catedrais, é como nós temos os nossos castelos, com as suas muralhas para protegerem as populações.
O metro de Moscovo é impressionante, Staline queria que o povo todos os dias quando fosse para o trabalho atravessasse um ambiente de palácio, e o metro é isso, ornamentado com colunas coríntias estilizadas, candelabros, esculturas, baixos relevos, é demais. É pena é que os desejos dos homens e a sua obra seja por vezes tão incoerente com a sua prática, como foi o caso de Staline que assassinou milhões.
Por hoje termino o meu relato, isto vai levar muitos dias. Amanhã começo com a nossa visita a Kolomenskoie.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Cheguei, arrasada mas cheguei. A viagem que realizei foi emocionante, foi talvez das viagens mais importantes da minha vida.


Estas viagens devem ser feitas assim como nós fizemos de modo a que seja acrescentada à nossa vida uma compreensão mais profunda do mundo em que vivemos. Nesta viagem eu fiquei a compreender de forma definitiva um parte significativa da história do século XX. Tenho tanto e tanto para contar que tem de ser por capítulos. Como apanhei uma constipação grande devido ao ar condicionado (não foi virus nenhum, descansem) e amanhã faço um exame de rotina, tenho de descansar, mas estarei pela tarde a relatar a minha aventura na Rússia.
Deixo-vos uma imagem do túmulo do camarada Lenine na Praça Vermelha que eu julgava ser maior do que é, para aguçar o apetite.