O inverno está rigoroso e friorento, nunca o tinha sentido assim, apetece-me estar à volta da lareira, sem vontade de sair. Tenho cada vez mais falta da carta de condução, mas não sei se com esta idade é boa ideia tirar a carta, guiar com chuva, com malucos em velocidade excessiva, não sei, todas as boas amigas que tenho passam a vida na maior parte do tempo em casa ou se saiem é perto, não andam de carro, mesmo possuindo um, por causa de os arrumar e não haver lugar. Mas agora as minhas semanas vão estar muito ocupadas, com a minha neta e comigo, com a minha saúde. Vou-me organizar, só sei que de manhã não funciono bem, tenho o meu timing, depois de almoço a vida é outra. Até para arrumar livros é uma a duas prateleiras de cada vez. estou mesmo lenta, tenho de arrebitar, apesar de ter muitos projectos, este inverno alterou-me o ritmo. Sábado vou ver uma exposição, almoçar com amigos e ver outra exposição de tarde, está já combinado, amanhã vou a uma actividade espiritual de manhã, almoço em Lisboa e vou à médica, depois cinema com uma amiga. A minha amiga Mané vai-me ajudar com os passes ou bilhetes pré-comprados dos autocarros, eléctricos e metro de Lisboa. Tenho de me habituar ao combóio da linha, porque a minha filha nem sempre me dá boleia. tenho de andar, andar, andar. E para a semana México, ver outras terras e outras gentes. Gosto do Outono e do Inverno, mas estou a mudar de gostos, ~este inverno fez-me sentir saudades do verão.
Um blogue intimista mas ao mesmo tempo aberto para os outros. Um blogue de reflexão sobre o mundo que me rodeia. Falar sobre este país e estas pessoas, falar de museus, bibliotecas, cinema, literatura, dança, teatro, política e sociedade. Enfim um blogue que desejo vivido.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
O Inverno está dificil , mas há sempre dias de sorte
A chuva não tem abrandado e não estamos preparados para estes frios, no entanto há dias de sorte. No passado sábado fui à quintinha de Alpiarça com os meus cunhados e enchi a cozinha de legumes fresquinhos e reconfortantes, uns no cesto outros no frigorifico que tem na porta os sinais das viagens que tenho feito ao longo da vida mais as do meu marido e mais as que os meus filhos fazem. O mundo na porta do frigorífico, bom tema para começar o ano.
Já repararam que a minha cadela está sempre em cima do acontecimento?
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
5º dia e Partida para Lisboa
O 5º dia foi passado no Grand Palais e na livraria do Louvre. O Grand Palais foi construído no final do século XIX, para albergar a Grande Exposição de Paris em 1900. Em 1900 houve em Paris uma exposição mundial e Portugal também esteve representado. Situado nos Champs Elysees, a famosa avenida de Paris que vai dar ao arco do triunfo e em estrela se desdobra numa série de ruas das mais importantes da capital. É lindo ver este pormenor arquitectónico do cimo da Arco do Triunfo, até prefiro mais do que da Torre Eiffel, mas da torre da Defense a vista também é muito boa, mas desta vez não fomos a esses sítios. Fomos sim ver uma exposição sobre A Turquia e Instambul, uma linda exposição com lindos objectos, maravilhosas colecções que estavam expostas em Paris, do melhor, mas a museografia do rés-do-chão era péssima, com paredes forradas de papel a imitar pedra que fazia imenso ruído com os objectos, no 1º andar, bastou que se mudasse a cor de todo o pavimento e paredes com tecido vermelho Pequim, para fazer toda a diferença. A multimédia era espectacular. Em seguida fomos de novo comer ao Louvre desta vez comida francesa e depois fomos para a livraria do Louvre e foi uma overdose de compras, mas os livros que compramos são sempre para trabalho e este dinheiro gasto vai gerar outro dinheiro. À tarde, Sacre-Coeur e Montmartre, um sítio alto, que outrora os gauleses dedicavam ao culto de Dionisios, chovia a cântaros mas estava apinhado de gente, custou-me imenso subir aquelas lombas, só depois nos lembrámos do fenicular, mas foi bom, muito bom.
À meia noite comemorámos em casa da nossa amiga com jantar simpático e brindámos a meia noite com sidra, na varanda que dava para a torre de eiffel que este ano não deitou fogo de artifício espectacular, mas sim estava toda coberta de luzes a tremer, assim como os champs Elysees cujas árvores da avenida estavam cobertas de luzes e dos dois lados da rua, tendas brancas, todas iguais, vendiam petiscos, artesanato e souvenirs. Era um mar de gente.
No dia seguinte aproveitámos os bilhetes gratuitos dos transportes até ao meio-dia do dia 1 e partimos para o aeroporto sossegadamente, quando todos estavam a dormir, o trânsito era pouco naquela primeira manhã de 2010 em Paris. Visitámos Paris 5 dias, e utilizámos dois dias para viagem, foram sete dias fora de Portugal e de todas as repetições de notícias que já cansam. À noite em casa ainda ouvi o Cavaco, com aquele tom de voz irritante e o nariz afilado. Tinha voltado à terrinha, que diga-se de passagem sabe sempre bem, tirando algumas particularidades. Como cheguei a uma sexta-feira ainda tive tempo para ir dar um beijo aos meus netos, no sábado e domingo e dar-lhes as prendinhas da Baby Gap, uns livrinhos e um abecedário para a Francisca se familiarizar com as letras.
E assim se passou mais um ano. Um Ano de 2010 cheio de esperança para os amigos e amigas online e aquele abraço.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
3º e 4º dias e, Paris, arte, arte e mais arte
Nesses dois dias visitei três exposições de arte: uma de arte flamenga, no Instituto Neerlandês de Paris, outra de Rembrandt a Vermeer na Pinacoteca de Paris e um maravilhoso palácio mesmo no centro da cidade, do século XIX, com um recheio do mais fantástico que pode haver, com uma colecção de pintura italiana extraordinária e uma exposição temporária de pintura flamenga que neste momento pertence um particular que vive na Roménia, com obras do século XV a XVIII. O palácio chama-se Jacquemart-André e é fruto do amor de um casal pela arte e pela cultura. Vi Mantegna, o que eu gosto deste pintor, além de que a colecção temporária tinha quadros desconhecidos até à data como o homem do chapéu azul do Jan van Eyck. Foi mesmo muito bom. Depois passei pela ópera Garnier, para ver a exposição dos Ballets Russes, mas a fila era descomunal, como já tinha estado duas horas na do palácio Jacquemart-André e perto de uma na Pinacoteca, resolvi antes comer uma fatia de tarte de maçã de cair para o chão no café Royal Ópera, um do género do célebre café de La Paix, acompanhada de um chocolate quente. Amigos e amigas foi de comer e beber e chorar por mais. A noite do 4º dia terminou com um concerto na igreja da Madeleine, com os violinos de Paris e uma soprano. Mesmo assim com aquele frio estavam perto de 500 pessoas na igreja e havia imensos espectáculos por todo o lado. Por Paris tudo passa e a cultura nas suas mais variadas especialidades sente-se por toda a parte e não pensem que a maioria dos consumidores são estrangeiros, não, os franceses estavam em maioria em todo o lado.
Chegámos a casa da nossa amiga cansados mas felizes a bordo do autocarro 27, está claro.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
2º dia - fui ver um museu maravilhoso que compensou a decepção do outro do dia anterior
2º dia, levantámo-nos tarde e fomos primeiro à Rue du Bac, à igreja do convento das irmãs vicentinas, tenho uma grande devoção por Nossa Senhora das Graças e além disso acho que quando entro naquela igreja está lá o mundo inteiro: africanos, asiáticos, da América Latina, enfim é uma igreja multicultural no meio de um bairro chique de Paris. Adoro. Comprei umas medalhas para levar a umas amigas. Almoçámos por este bairro, uma bela salada com salmão fumado, o que eu amo um bom salmão fumado e em seguida fomos a um maravilhoso museu todo reprogramado e com uma arquitectura que respeitava ao último pormenor a do antigo edifício. O Museu Nacional de História Natural de Paris http://www.mnhn.fr/ é um museu de referência a todos os níveis: arquitectura, museografia, conteúdos actualizados, pedagogia, educação e entretenimento. Nunca tinha visto tantas famílias num museu como naquele. A grande galeria da evolução é das imagens mais belas que eu levo de Paris. Todos os animais que possam imaginar, selvagens, domésticos, insectos, reptéis, minerais, plantas e até informação detalhada sobre fungos, virus, desflorestação do planeta, enfim um sem número de informação lúdica, legível para todas as idades. Adorei e como tive a oportunidade de nos anos noventa trazer a Portugal o programador deste Museu, em Setúbal: Michel Van Prett penso que é assim que se chama, foi uma forma de rever a excelente conferência deste museólogo de excepção. Recomendo vivamente a visita a este Museu quando forem a Paris. Almoçamos uma excelente salada na cafetaria do museu e comprámos sempre os catálogos e livros que nos interessavam nas lojas do museu que são sempre boas.
De tarde oh mom Dieu, fomos às Galerias Lafayette, é um edifício monstro ao lado da Printemps que também é muito grande, mas enquanto esta ultima é um Corte Inglês, as Lafayette são o dernier cris de la mode com um estendal de todas as marcas possíveis e imaginárias do prêt-à- porter, desde Chanel às marcas estrangeiras de alta costura e todas as marcas francesas, com uns designs de equipamento e comunicação fantásticos, que grande modificação desde a última vez que lá entrei. A minha filha mais velha fez umas compras maravilhosas numa das marcas francesas jovens e ficou radiante. A seguir fomos à GAP de roupa de adulto e o meu marido comprou uma camisola e eu prescindi de comprar coisas para mim e fui à Baby Gap comprar umas coisinhas para os meu netinho e netinhas. Debilidades de avó.
Quando voltámos as iluminações eram magnificas. Crise onde estás tu em Paris???
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Voltei e estou melhor que nunca....Chegada e 1º dia em Paris. Este relatório vai ser por episódios.
Se me disserem que em Paris há crise eu não a vi. As lojas cheias de gente, poucos saldos, as exposições com filas e filas intermináveis, os restaurantes e cafetarias cheias até à rua e nas avenidas gente e mais gente, que mais parecia um daqueles filmes passados em New Yorque. Primeiro dia: chegada à noite, na Air France, um voo que não estava muito cheio, era natural pois estavamos (eu, o meu marido e a minha filha M., como prenda de Natal e aniversário em Janeiro) a viajar a 26 e certamente as famílias estavam ainda no rescaldo das festas natalicias. Chegámos à noite e a minha amiga MOLC, estava à nossa espera amável como sempre, ela estava com imenso trabalho de orientação de uma tese, na fase final, o filho mais velho estava lá com a sua nova mulher francesa que trazia a sua filha adoptada, uma vietnamita muito engraçada, partiram a 28 de manhã e assim ficámos sozinhos coma nossa amiga. Jantámos de forma frugal e fomos-nos deitar. Combinámos que não fazíamos os horários duros do grupo de viagens, esta era uma viagem para nos divertirmos e descansar.
No dia seguinte era domingo 27, levantámo-nos por volta das 9h e 30m, tomámos o pequeno almoço e da janela da cozinha da nossa amiga viamos a torre Eiffel. Resolvemos que andariamos de autocarro e foi maravilhoso, aconselho vivamente dois autocarros que nos levam a todo o lado e atravessam Paris com voltas maravilhosas, o 27 e o 83, além de outros. Comprámos um bilhete que nos serviu durante cinco dias e podiamos andar no metro, autocarro, ter descontos em espectáculos e compras, andar nos barcos, enfim do melhor. Fomos à missa na Notre Dame e confessei-me em francês com um padre muito simpático, que me deu como penitência o estar ali na Notre Dame. Quando saimos ainda parámos nos bouquinistes, na ponte sobre o Sena para vermos os livros antigos. A missa foi bonita e os cânticos do melhor, um orgão fabuloso, em seguida almoçámos nos restaurantes do Louvre onde há comida muito variada. Estava cheio de franceses e muitas crianças nos museus, comemos num restaurante árabe couscous com beringela e em seguida fui ver o novo museu de antropologia, aquele que substituiu o desmantelamento do antigo Museu do Homem no Trocadero. Este chama-se http://www.quaibranly.fr/. Museu do Quai Branly. Pois digo-vos amigos e amigas foi uma profunda desilusão. O grande arquitecto Jean Nouvel fez uma obra avassaladora que abocanha completamente a maravilhosa colecção das Américas, da Oceania, da Ásia e de África. A cobertura de napa que percorre todo o museu dando uma ilusão de terra é terrível, a iluminação era bastante boa, principalmente nas vitrinas, as colecções do melhor com suportes muito interessantes que se repetem até às últimas consequências provocando uma monotonia excessiva, as reservas visíveis por todo o museu e incorporadas nele é um achado criativo de excelência o problema é aquela arquitectura que não deixa ver a limpidez da maravilhosa colecção e foi para mim uma grande tristeza. A exposição temporária sobre o México era outra coisa, pois tinha uma museografia limpa e o espaço era amplo e a cenografia das pirâmedes era muito clean, muito adequada. Não suporto arquitectos que só vêem o seu umbigo, a sua obra e estão-se borrifando para o verdadeiro objectivo do museu: a comunicação através dos objectos, o deleite, o bem estar. Aqui era tão cansativo e havia tão poucos sítios para uma pessoa se sentar e o contexto das colecções era nulo, estavam expostas como se fossem obras de arte sem ter em conta o simbólico, o religioso, o mágico etc.. Para mim este museu está reprovado em termos de arquitectura e em parte a museografia repetitiva com certos pormenores de bom nível, aqui e ali. Comprei o catálogo e um livro infantil este interessante. O preço dos catálogos é muito acessível nos museus de França, o que em Portugal já não acontece.
À noite conversa e mais conversa com a MOLC, jantar com saladas, foi sempre saladas e de tal maneira ficámos viciados que fomos ontem ao super mercado e enchemos o frigorífico de saladas, saladas, saladas e legumes frescos, para a próxima semana volto ao comércio tradicional e aos legumes biológicos. E assm termina o relato do 1º dia, amanhã há mais. Foram sete dias de arrasar. À bientôt.
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