quarta-feira, 7 de abril de 2010

Viagem à República Checa - 4ª. parte - 5º. dia e 6º dia. Amanhã coloco as fotos porque hoje tenho de ir almoçar com uma amiga querida.

Chegámos a Praga, que linda que é esta cidade. Linda, linda. A cada canto se encontra um monumento, prédios de várias épocas, monumentos grandiosos, igrejas deslumbrantes e ainda por cima uma cidade cheia de cultura. É verdade, ontem esqueci-me de dizer que fomos assistir a um jantar com música e folclore checo, mas sinceramente não achei nada de especial comparado com o que vi na Russia, direi até que era um pouco fraco.
Há três lugares onde não podemos deixar de ir a Praga. A cidade antiga, a cidade nova e a cidade pequena. Todas elas falam da grande influência que a sua arquitectura e cultura teve sobre a Europa central. Podemos nestes lugares observar a Praga do século XI ao século XVIII. O célebre castelo de Hradcani, a catedral de S. Vito, a Ponte de Carlos, as numerosas igrejas e palácios enfim um sem número de pontos de interesse para visitar.
O centro histórico de Praga é destacado pela Unesco como a «manifestação suprema do urbanismo medieval» a cidade Nova do imperador Carlos IV foi constituída como a «Nova Jerusalém»
Começamos pela torre da Pólvora uma das entradas da cidade, datada do século XI, quando a cidade tinha treze entradas, é o início daquilo que foi a estrada real. A praça da cidade antiga é por si só uma viagem no tempo medieval, quando era ainda a praça do mercado hoje substituída por edifícios de várias épocas, dos quais se destacam a Igreja de Nossa Senhora, a torre da Câmara Municipal com o relógio astronómico onde a cada hora certa se abrem umas janelas e aparecem todos os elementos da última ceia e o galo canta e a assombrosa Igreja de S. Nicolau.
O bairro judeu aparece-nos entre a Praça e o rio Vltava, o bairro nasceu no século XIII, quando os judeus foram obrigados a deixar as suas casas dispersas pela cidade e a instalarem-se nesta área, hoje os edifícios mais preservados datam dos finais do século XIX e inícios do século XX.
O complexo de edifícios históricos judaicos é dos que se encontram em melhor estado de conservação em toda a Europa. Salientamos a Sinagoga espanhola e o antigo cemitério judeu que é impressionante.
Passando pela ponte Carlos que estava em obras, mas é deslumbrante com a sua torre à entrada, a cidade pequena, com o seu castelo de Praga e o palácio Laskowiez, a catedral de S. Vito e a Basílica de S. Jorge.
A catedral de S. Vito é das mais deslumbrantes, com a sua porta dourada e com o túmulo do mártir João Nepomuceno, todo em prata , com anjos igualmente em prata que seguram um dossel. É o barroco no seu mais alto esplendor e cheio de teatralidade.
O palácio Loskowiez, do século VXI sofreu um incêndio e foi reconstruido no estilo barroco. esta visita foi muito comovente porque vimos o autógrafo de Beethoven que dedicou ao seu mecenas, dono do palácio que o acolheu, a quarta, quinta e sexta sinfonias. Foi emocionante ver as partituras escritas por este grande compositor. Hoje a república checa está a devolver alguns palácios aos seus donos para eles os recuperarem e muitos deles depois dão-lhe o estatuto de sítios públicos, portanto visitáveis com excelentes colecções de pintura.
Descemos a viela de ouro, uma rua estreita do século XV e foi muito emocionante ver a casa minúscula, quase uma casa de bonecas, onde Kafka escreveu «Um médico rural», mais um ilustre checo no panorama das várias personalidades do mundo das artes e das letras.
Fomos ao teatro de ópera na véspera da partida e fomos ver D. Quixote, o teatro de estilo neo clássico, tem uma decoração Rococo. A ópera de Massenet, de 1910, tem um libretto de Henri Cain. Tinha figurinos e encenação contemporânea de grande qualidade, o que nos agradou muito, pois estávamos desiludidos com o que o S. Carlos neste género tem apresentado.
A Galeria Nacional - Museus de Praga foi um luxo. Vimos o palácio Sternberg e o da Feira. No que toca a pintura antiga foi do melhor e em arte contemporânea as colecções eram da mais excepcional qualidade e variedade, além do edifício que as alberga é líndissimo e muito apreciado na época por Corbusier.
Também vimos o prédio onde Kafka nasceu e que hoje está transformado e uma linda escultura de rua dedicada a ele, junto do complexo judaico. Enfim foram uns dias maravilhosos, é bom conhecer locais que nós fazemos uma ideia pelos livros mas que no real é totalmente diferente, pela atmosfera, pela companhia. Enquanto puder viajar é uma das minhas prioridades.
Este passeio teve também uma particularidade, à noite um grupo íamos sentar-nos no foyer do hotel e rimo-nos muito, contámos histórias engraçadas e passámos a conhecer-nos melhor. Foi mesmo bom. Miluji te Praga (Amo-te Praga)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Viagem à República Checa - 3ª. parte - 4º dia Visita a Trebic e Telc


























Adorei este dia pois foi muito comovente ter ido visitar o Bairro Judeu e a Basilica de São Procópio. A Basilica de São Procópio, o antigo cemitério e o bairro judeu datam da idade média e preservam-se até hoje.
A igreja de São Procópio é uma igreja beneditina dos princípios do século XIII e o gueto judeu é um admirável testemunho da vida daquela comunidade até ao século XX. Hoje já não é uma comunidade judaica que lá habita, mas as casas e os túneis que existem por debaixo das casas e que assim permitiam que as pessoas fossem a casa umas das outras, sem atravessar a rua ainda lá estão. É o conjunto que está totalmente intacto em todo o mundo a nível destes guetos judaicos. Os judeus foram praticamente exterminados na 2ª guerra mundial na Boémia e na Morávia.
Na igreja de S. Procópio podemos observar a cripta onde se guardavam os vinhos para estarem frescos. Vimos o travejamento do tecto abobadado com mais de 700 anos. O portal é magnifico. Este conjunto na actual Morávia revela uma densidade de ruas estreitas e 120 casinhas todas recuperadas. Vimos também a escola, a Câmara , a casa dos Pobres e a Sinagoga.
Depois do almoço fomos a Telc, diz-se telch em checo, uma cidade linda, com uma praça linda de morrer e umas lojas com bonecos de madeira fabulosos onde comprei dois para pendurar no quarto das minhas netinhas e netinho.
A fundação desta cidade começa no século XIII, com o castelo real no cruzamento de várias rotas comerciais, o desenvolvimento ficou a dever-se aos judeus que tinham uma grande influência na cidade. Para além do castelo está a praça com casas qual delas mais bonita, são casas da renascença e do barroco, uma escola de jesuitas, uma escola de latim e a Câmara Municipal. Foi uma loucura ter visitado um espaço tão bonito.É tão bom lavar os olhos de vez em quando.
Claro que não vos ponho aqui todas as igrejas que visitei mas são muitas e muito bem recuperadas desde a queda do muro de Berlim, porque no período comunista serviram de armazéns dos mais deversos materiais e celeiros.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Visita à república Checa - 3º dia - BRNO
































Saímos cedo como sempre para termos tempo de ver tudo o que queríamos. Fiquei a saber pois não me lembrava que a república Checa é pátria mãe de: Milan Kundera, Milos Forman (Voando sobre um ninho de cucos, lembram-se), Mahler e muitos outros artistas plásticos e músicos. Este país está profundamente ligado às artes, à música e às letras.
Visitámos o Centro Histórico com arquitectura típica de um burgo medieval, visto que esta cidade tem mais de oito séculos. A igreja de S. Jacques, o mercado, a Câmara que ostenta um dragão que na realidade é um crocodilo e que faz parte de uma lenda. A igreja de gótico tardio data do século XV e é imponente. A porta de Menin é uma das cinco existentes na época e é a única que resta, estava completamente rodeada por uma fortíssima muralha.
Na catedral de Brno subi os quase cem degraus para provar a mim própria que não sofria do coração e levantei gloriosamente a bandeira portuguesa na janela, assim como o João António, a vista era deslumbrante.
O barroco das igrejas checas é teatral, o palco é o altar mor onde se realizam todas as cerimónias. Esqueci-me de vos falar dos frescos que vi na catedral da cidade anterior, aquela das minas de prata, pois a catedral tem belíssimos frescos de mineiros medievais a trabalhar.
Outro elemento encantador nas ruas de Praga e nos mercados, nesta época de Páscoa são os ovos pintados. Por toda a parte encontramos ovos para venda, na porta das casas das pessoas, nas árvores, e há à venda muitos vidros e cristais, há uma grande produção de vidro e de cristais, os famosos cristais e vidros da Boémia em copos, em garrafas, em colares, brincos etc., eu trouxe uns é claro e claro meus amigos e amigas continuava nos grelhados e saladas em vez dos pratos regionais e sem nenhum docinho, ainda hoje continuo assim.
De tarde demos uma volta pela cidade e fomos ver a Casa Tugendhat que é património da humanidade. Situada numa residência de vivendas de gente rica foi desenhada por Mies Van der Rohe, arquitecto alemão e é um exemplo do melhor do movimento de arquitectura moderna que se fez na Europa, nos anos vinte do século passado. Está a ser meticulosamente restaurada, por isso não vimos o interior, mas sabemos que é um museu. Este arquitecto foi professor na Bauhaus e autor do edifício «Pavilhão Mies Van der Rohe» em Barcelona, no parque Monte Juic.
Hoje só falo do 3º dia, porque ontem tive cá a família a almoçar e tenho coisas para arrumar, tenho que ir ao cabeleireiro e tenho que ir ao velório de um amigo, que morreu quando ainda tinha muito para dar. Chamava-se Dagoberto Markl, era historiador, pai do cómico Nuno Markl.