sábado, 16 de fevereiro de 2008

A não perder

Depois de regressar do Iraque, Mike Deerfield (Jonathan Tucker) desaparece e é considerado desertor. Quando Hank (Tommy Lee Jones, num surpreendente desempenho), um veterano, e a sua mulher Joan (Susan Sarandon) recebem o telefonema com a trágica notícia do desaparecimento do filho, o pai resolve procurá-lo. A detective Emily Sanders (Charlize Theron) ajuda-o na investigação, mas à medida que o mistério se revela e Hank descobre pormenores sobre a missão do filho no Iraque, tudo aquilo em que acreditava é posto em causa. "No Vale de Elah" é realizado por Paul Haggis, o realizador do premiado "Crash" e argumentista de "Million Dollar Baby", "As Bandeiras dos Nossos Pais" e "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood.
Jornal Público
Ao ver este filme relacionei-o imediatamente com as notícias perturbadoras que todos os dias nos entram pela nossa casa e por nós próprios.
A guerra, novamente este tema tratado em cinema, mas desta vez é uma guerra que ainda está em cena - a do Iraque - e sobretudo as consequências dela nos protagonistas. Conhecemos nós aqueles que amamos , quando se encontram num cenário de guerra, no qual são obrigados a agir como se fossem robots programados para as mais horríveis atrocidades, na busca sem limites da sobrevivência? Serão aqueles os nossos filhos a quem ensinámos outras coisas que não a violência e sobretudo o respeito pelo próximo?
Retomo novamente a questão. Quanto vale um corpo hoje? Como podem soldados vindos do Iraque matar um camarada de armas? Por nada, nada....somente a herança deixada pelo terror e pela sobrevivência, em que corpos, casas, mesas ou viaturas se detonam quando esbarram no seus caminhos. Um corpo é destruído e comprado neste século num abrir e fechar de olhos. Nós somos os novos homens das cavernas.
A interpretação do protagonista é de uma intensidade que prepassa para o espectador. A não perder este filme que por mim é um sério candidato ao Óscar deste ano. E este realizador e argumentista que já coloquei nos meus favoritos é um nome a fixar: Paul Haggis.

1 comentário:

isabel victor disse...

Ana, um beijo IMENSO de saudades ...

Grata pelas visitas e palavras inspiradoras que me deixas nas folhas do caderno !

Tanta coisa que já vivemos juntas ...

merece celebração !!!

E, claro ... Clarice Lispector no convento de Jesus !!! E tantas outas coisas ...

Beijos *** até ao fim do mundo !

iv