sábado, 27 de fevereiro de 2010

Encontrar uma amiga dos nossos tempos de adolescência

Encontrar uma amiga dos nossos tempos de adolescência é como se a tivéssemos visto no dia anterior. Estou a falar do prazer que foi encontrar a Mané. Vivemos muito intensamente a nossa amizade na adolescência e depois nos inquéritos da LEVER, mais tarde casámo-nos e cada uma foi para o seu lado e voltámos a encontrar-nos na Faculdade, eu em História e ela em Filosofia, novamente cada uma seguiu o seu caminho e em inícios de 2008 voltámos a encontrar-nos outra vez e foi tão importante para mim. A proximidade e a intimidade foram mútuas e instantâneas, o que é muito dificil fazê-lo com amigas recentes, porque a amizade conquista-se com passos lentos, de tal forma que tornamos a amizade/confidência. Confiar em alguém é a prova máxima de amizade, porque pomos nas suas mãos a nossa vida, os nossos pensamentos, preocupações, alegrias e sonhos, que não são para se contar a ninguém. A Mané foi uma fonte de água fresca que surgiu no meu caminho, como uma irmã, uma irmã muito querida, que nos conhece desde sempre, que riu e chorou connosco com as parvoices de adolescente, defronte de uma ourivesaria com grandes cachuchos pirosos, com grandes garglhadas, ou com as crises de um namoro que não corria bem. Foi bom encontrar-te Mané e é para ti esta poesia, que já a postei aqui, mas hoje é só para ti:

Poema do amigo aprendiz


Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

Fernando Pessoa



2 comentários:

Anónimo disse...

Miga,

Já não sei se a minha Musa
Me ajudará nesta empresa
Deixaste-me até confusa
Desta honra, desta surpresa

O que posso eu já dizer-te
Que tu já não tenhas dito
O que poderei escrever-te
Que tu não saibas, repito

Ao que pensas e ao que sentes
Apenas direi eu, também
Nunca estivemos ausentes
Conhecendo-nos tão bem

Para ti querida Aninhas
Um grande, grande abraço

Mané

divagarde disse...

Os amigos de verdade continuam presentes sem quilometragem ou fuso horário.

Este post fez-me lembrar de uma das minhas amigas de escola. A Ester. Gostava de a reencontrar. E de uma outra com quem me correspondi durante muitos anos. Encontrámo-nos apenas uma vez, mas tal não impediu que se criassem fortes laços e uma intimidade através dessas missivas.
Encontrara o seu contacto numa revista de então. Teriamos uns 12 anos cada e trocámos cartas durante uns anos(ahhh que saudade de quando se escreviam cartas!!). Ela estava no Sanatório Marítimo do Outão, e penso que eu era o seu maior contacto com o mundo e com a vida da juventude, de que ela, inevitavelmente, estava apartada.
Maria Adélia Meira, ainda lembro o seu nome.
Sim, gostaria de voltar a saber notícias.