domingo, 6 de abril de 2008

Ainda o Egipto

Ao visitar este país de assimetrias inacreditáveis, reparei numa coisa que sempre me fez pensar, desde que há longos anos viajo: a questão da identidade. Eu no Egipto senti-me noutra cultura, vi-me envolvida por ela desejei estar em sintonia com ela. Os seus cheiros, as cores, a paisagem e o traje, tudo me encaminhava para um país, tudo me estimulava ao seu conhecimento. E não era tudo de plástico para turista ver. Havia espaços genuinos de identidade.
Será que no nosso país esses espaços genuinos de identidade existem numa maioria significativa? Olho por exemplo para a linha de Cascais, tirando o sol e o mar (grandes valias) o resto é homogeneizado, é globalizado: comida, espectáculos e tudo o mais vê-se por essa Europa igual. Onde está o artesanato urbano, já não digo regional, de qualidade? Onde está o artesanato contemporâneo? São sempre as mesmas toalhas, as mesmas conchas e búzios, as mesmas camisolas, a mesma comida que tanto podia ser aqui como em qualquer região da Grande Lisboa. Por favor mostrem-me sinais reais, genuinos de identidade, expontâneos.... Consigo encontrar no Norte e no Alentejo, mas nesta área globalizada da Grande Lisboa, onde estão??? Que espaço é este? Desde Setúbal a Azambuja e já entrando na zona Oeste e Ribatejo, as «artes» feitas pelo homem e mulheres do nosso país, parecem desaparecer. Vendemos o quê aos turistas? Objectos das lojas dos chineses?
Se o artesanto tradicional for desaparecendo e dando lugar a inovações contemporâneas, muito bem. Acho óptimo. Eu adoro artesanato contemporâneo e ele reflecte uma área de identidade muito própria. Eu gostava de vestir moda feita a partir de tecidos e motivos portugueses, mas não têm sucesso? Existem? Onde?
Os lobies globalizantes vão envolver um planeta de uma só cor, de um só tecido. EU NÃO QUERO....

4 comentários:

ângela marques disse...

Eu tb não:), Anad!

Bj

Carla disse...

também eu não quero, mas reconheço que não será fácil lutar contra esta tendência...aliás o artesanato só por si tem muita dificuldade em sobreviver...exige muito trabalho manual por parte de quem o realiza e nem sempre isso é compensado quer em ermos de reconhecimento quer em termos financeiros...as ajudas não chegam e as pessoas procuram outras actividades...e assim perdemos mais um pouco da nossa já tão esbatida autenticidade
bom domingo

isabel victor disse...

Pois ... sinais dos tempos. Num destes dias, fui ao Alentejo e fiquei toda contente porque consegui comprar duas simples colheres de pau feitas artesanalmente. Daquelas toscas, esculpidas a canivete. Daquelas que a ASAE "persegue" :)) mas ... cá em casa não devem entrar e eu adoro-as !


Beijos *** **

Um Momento disse...

Nem eu!!
É muito bom passar por aqui:)

Deixo um beijo...em ti

(*)