quarta-feira, 9 de abril de 2008

Estou perplexa!

Resolvi colocar um pequeno questionário no meu blogue, tendo em conta que estamos no ano da interculturalidade. Perguntava se os portugueses são racistas, não são racistas ou parecem que não são mas são.
A pergunta que ganhou foi esta última, parecem que não são mas são. No fundo era também a minha resposta. Penso que o nosso país há muita hipocrisia. A horrivel expressão «é tão bom rapaz apesar de ser preto», ainda é comum. Afinal que atitudes de mudança temos na realidade? A pergunta que eu faço a todos aqueles que visitam este blogue é a seguinte: Seriam capazes de casar, viver, namorar com alguém de uma raça diferente? Esta hipótese é absolutamente viável para os vossos filhos?
Eu estou à vontade a fazer esta pergunta porque o meu primeiro marido era filho de uma senhora negra de S. Tomé e de um indiano claro de Margão (India). Era engenheiro aeronáutico do Instituto Superior Técnico e oficial de carreira da Força Aérea da Academia Militar. Morreu num desastre de aviação com o Pires Veloso, nos anos setenta.
A luta a ter no nosso país a favor da igualdade de oportunidades e direitos, passa por diminuir o conceito de inferiorização. A interiorização desse conceito provoca desespero, raiva e revolta.
No outro dia vi num programa da Oprah, os projectos que negros cultos na América estão a fazer a favor das crianças e jovens de raça negra. Construiram escolas no Harlem onde acolhem cerca de 10.000 crianças de todas as idades e lhes dão educação da melhor, introdução ao desporto e às artes, alimentação etc. Os pais destas crianças só têm que as receber ao fim da tarde, brincar um pouco com elas e deitá-las.
Já estão perto de 20.000 e eles querem aumentar para 40.000 os adolescentes que estão nas universidades com tudo pago. Chegaram à conclusão que uma maioria cerca de 80% da população de raça negra são crianças filhos de mães solteiras e o nível de instrução é profundamente baixo e com características de deliquência, pois muitos jovens negros estão na prisão. Esta escola também faz formação junto das famílias nas questões mais básicas, como tratar dos filhos bébés, cozinha, costura, computadores etc. etc.
Investir na educação é quanto a mim a única forma de tornar cidadãos actuantes e plenos de cidadania. O Jean Monet disse que se construisse a Comunidade Europeia de novo, começaria pela educação.
Num destes projectos, uma negra fabulosa disse no programa que estava a angariar um milhão de mentores para apoiarem crianças. Um mentor para cada criança. A Oprah motivou logo ali os espectadores a serem contribuintes deste apelo.
O nosso país tem que contruir uma sociedade nova, com educação e saúde para todos e com projectos concretos com DINHEIRO suficiente para implementar escolas especiais para os portugueses oriundos de todos os continentes. O Prof. Pereira Bastos da Universidade Nova, num estudo que tem levado a cabo com especialistas fez o levantamento de 179 nacionalidades ou etnias a viverem no nosso país.
Nós não pudemos andar toda a vida a fazer só certames de gastronomia, música e exploração da componente exótica dessas populações. Nós temos que criar estruturas que tornem os homens e mulheres que escolheram o nosso país para viverem e muitos se nacionalizarem a tornarem-se cidadãos de pleno direito. Já se percebeu que a Segurança Social e a Escola ao fim de trinta anos de democracia, tornou este país de «todos iguais, todos diferentes»,num país de «uns mais iguais do que outros».
As pessoas têm DIREITOS, à educação e à cultura, à saúde e à habitação e os projectos têm de ser fortes e não aos bochechos, porque aos bochechos torna tudo muito efémero.

6 comentários:

Ana Camarra disse...

Respondi á sua “sondagem”, e a minha resposta foi a vencedora…
Eu fiquei perplexa numas férias de grupo, em 2005, onde numa conversa trivial duas amigas com quem me senti á vontade para partilhar uma quinzena de férias assumiram que não aceitariam genro/nora doutra raça. Caiu-me o queixo….
Mais ainda uma delas tem meios-irmãos mulatos, sobrinhos mulatos, nasceu em Africa….
Mais ainda, não acha muito mal as experiências das grandes companhias farmacêuticas disfarçadas de ajuda humanitária (discutíamos o Fiel Jardineiro), acha normal e é necessário para as coisas avançarem.
Depois disto percebi que aqueles princípios que eu achava que eram mais ou menos universais entre pessoas com um determinado nível intelectual não eram tão universais como tudo isso.
Fui educada numa família sem qualquer tipo de preconceitos a este respeito, achava que isso é que era normal, descobri que não, foi uma espécie de desencanto.
Parabéns pelo livro.

Carmim disse...

Penso que existe de tudo na nossa sociedade; aqueles que são extremamente racistas, os que dizem que não são mas na verdade são, e os que aceitam as diferenças com a naturalidade que elas têm.

Eu pessoalmente acredito que as pessoas não se distinguem por culturas, religiões ou cores. O que faz diferença é aquilo que se tem no coração, a capacidade de dar e receber amor e ser humano.

Infelizmente ainda existem muitas pessoas pouco humanas neste mundo. Gente que muitas vezes não se aceita a si mesma, como pode então ter abertura para aceitar seja quem for, não é verdade?

Um beijo.

Carlos Barros disse...

Se não se importar voltarei com mais tempo..mas deixo-vos algo


A Editora Contra Margem e o autor convidam-no a estar presente no lançamento do livro
- Como matei o Ministro – do jornalista Carlos J. Barros. A obra vai ser apresentada por Paulino Coelho, no dia 12 de Abril (sábado) pelas 17 horas, na Lisbon AD School,Rua Dr. Nicolau de Bettencourt nº 45A, 1050 - 078 Lisboa. ( Frente ao centro de Arte Moderna – CAM – Gulbenkian)


Beijo

isabel victor disse...

A resposta era a esperada !
Numa sociedade de " brandos costumes " e muita indiferença não seria de esperar outra coisa.

É urgente por as pessoas perante as suas próprias contradições e des.construir os lugares comuns.

Há tempos vi um documentário interessantíssimo sobre um estudo recente, feito no Brasil, sobre a imagem social da negritude.

Pedia-se a pessoas comuns, de diferentes idades, géneros, condições e raças,que dissessem em frente a uma câmara de filmar, como se classificariam relativamente à cor da sua pele e aos seus traços fisionómicos.
As pessoas que mostravam maior relutância em fazê-lo eram, exactamente, os pretos e os mulatos. As raparigas, sobretudo diziam-se morenas (morenas escuras, morenas claras) e algumas, mais aloiradas,mas nitidamente mulatas, auto definiam-se como pálidas.

Alguns, mais jovens, falaram com orgulho da sua negritude mas foram absoluta excepção.

Isto denota um fortíssimo estigma social relativamente os negros, que perdura, assumindo mesmo formas violentas, um pouco por todo o mundo, mesmo em países com uma longa História de mestiçagem.

Mas existem muitas outras formas de racismo e exclusão por vezes mais subtis, mas igualmente perversas ...


Realmente é URGENTE tomar medidas, educar para a interculturalidade, vivenciar as diferenças,promover o encontro interpessoal, fazer fluir o diálogo intercultural. Passar do registo celebrativo (tantas vezes folclórico !), de um "estádio espelho", para o campo da responsabilidade social, da cidadania e dos direitos humanos. Criar um sistema justo e equitativo de acesso aos bens que todos ajudamos a construir.
Garantir a justa distribuição das mais-valias geradas pelo trabalho, de todo e qualquer ser humano, independentemente da sua origem, condição ou raça. Todos viemos de algum lado. Todos vamos para algum lado Somos todos migrantes, nem que seja da barriga da nossa mãe :))

__________

um Bj* Ana

Claudia Sousa Dias disse...

Grande post, Azul.


Parabéns.


CSD

Um Momento disse...

É só o país onde vivemos...
Na minha opinião...nem cor, nem raça importam
Importa sim o ser , o existir...um ser humano.
Parece que ao invés de progredirem certas mentalidades com a evolução ...se tornam mais retrogradas e mesquinhas... já para não falar em hipócrisia...

Bom post

Parabéns!

(*)