segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O mote para o meu dia é este poema do Neruda

A minha amiga Mané enviou-me este poema de um poeta que eu adoro: Neruda. Ele vai-me inspirar o dia de hoje. Vou estar agarrada ao computador e a fazer arrumações de livros para os entregar e aproveitar uma nova redistribuição dos meus que são tantos, tendo em conta as estantes que o meu filho me trouxe para casa e eu meti na garagem. Vou também pensar nas viagens que vou realizar no mês de Dezembro e nas exposições que tenho de visitar com os meus alunos. Obrigada Mané.
Morre lentamente quem …
Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
Não arrisca vestir uma cor nova,
Não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte
Ou da chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
Não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo
Exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!
Pablo Neruda

3 comentários:

gaivota disse...

é lindo este poema de neruda, como tantos outros...
uma semana boa para ti
beijinhos

Anónimo disse...

Aninhas

Apanhei o teu balanço e já começei finalmente a arrumar as gavetas.

Obrigada eu.

Bjinhos
Mané

Multiolhares disse...

Lindo e verdadeiro, talvez por isso tenhamos tantos mortos vivos.
Beijos