domingo, 15 de novembro de 2009

Pelo sonho é que vamos....





































Ontem foi um dia de passeio a Setúbal e Azeitão, com o meu grupo das viagens, eram tantos que tivemos que dividir o grupo pela parte da manhã e pela parte da tarde, ao todo foram noventa pessoas. Em Setúbal fui rever na Casa da Baia, antigo retiro da Soledade, no século XVII, situado na Avenida Luisa Todi, a exposição do Morgado de Setúbal, uma exposição deveras interessante, não pela excelência da técnica, isso não é o mais importante, mas sim pela excelência do temas abordados. Um homem do final do século XVIII, contemporâneo de Bocage e Luísa Todi, morgado, não pintou os seus pares, mas sim a gente simples do povo e os afazeres da vida quotidiana: os animais, os frutos, as cestas cheias de legumes, enfim um delírio de cor que impressiona quem os admira. Em seguida parti para Azeitão e fui ver com emoção a igreja de S. Simão, em Vila Fresca, que para mim é das igrejas mais bonitas do país, as paredes forradas de azulejos do século XVII, a planta quinhentista, os altares de talha dourada e a imaginária de terracota. Estava lé o Sr. Joaquim Afonso Fernandes que me abraçou com sinceridade comovente, trabalhámos juntos e ele é um erudito da terra, tem até um site fantástico sobre os seus escritos e descobertas: http://azeitaoanossaterra.ning.com/. É interessante como me sinto bem em Azeitão, com saudades daquele espaço e não consigo sentir o mesmo em Setúbal. Talvez as sinta quando o Museu de Setúbal/Convento de Jesus abrir.
Passámos de raspante por S. Simão Arte, onde sempre atenciosos fizeram uma demonstração da feitura artesanal dos azulejos, comprámos tortas em Vila Nogueira de Azeitão e o maravilhoso queijo cremoso, bomba calórica que eu não posso abusar. Antes tinhamos almoçado eu e o meu marido no Fernando Marisqueira. Comemos uns belos salmonetes grelhados, isso sim que saudades e senti a crise em Setúbal, um restaurante que antigamente se fazia fila à hora de almoço para comer, ontem tinha meia dúzia de pessoas e muitos empregados de mesa oriundos do leste e quem nos serviu foi um simpático lituano. Disseram-nos que o problema além da crise é a concorrência, há perto de 70 restaurantes entre a Avenida Luisa Todi e a rua que lhe está paralela para o lado do mar.
Teminámos a visita no Museu sebastião da Gama, foi bom ver a Vanda e a Fátima e o «Sebastião da Gama», o poeta que soube viver e morrer com alegria e serenidade, que encontrou Deus na Serra da Arrábida, que amou verdadeiramente as pessoas, as plantas e os animais e um excelente professor, dos mais adiantados do seu tempo em pedagogia, pois ainda hoje tem alunos que o relembram todos os anos, através de uma Associação, fazendo assim perdurar a sua poesia. Um exemplo. Li no final alguns excertos dos seus livros «Quando eu nasci», por exemplo, o poema «Serra Mãe» e «Pelo sonho é que vamos»: encontra-se em: Home / Sebastião da Gama
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos.

1 comentário:

Multiolhares disse...

è verdade é pelo sonho que vamos, eu a Setubal já não vou aí á uns 3 anos fui agora pela tua mão de sonho
beijinhos